Tesouro anuncia saída do mercado de dólar
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terça-feira, 26 de julho de 2005
Julianna Sofia<br>Folhapress 
Brasília - Na primeira decisão de política econômica diretamente ligada à crise política, o Tesouro Nacional anunciou ontem que ficará de fora do mercado de dólar à vista enquanto persistir o nervosismo no mercado de câmbio. Segundo o secretário-adjunto do Tesouro, José Antônio Gragnani, a medida não tem impacto na programação anual de compra da moeda americana, pois o governo estaria adiantado em seu cronograma. ''Essa é uma prática do Tesouro. Em momentos de volatilidade do mercado, ficamos de fora'', declarou o secretário-adjunto.
A declaração ajudou a acalmar o mercado. O dólar encerrou o dia em baixa de 0,49%, a R$ 2,45. A Bovespa conseguiu fechar o pregão em alta de 1,38%. As taxas de juros futuras, que subiram com força ontem, recuaram na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
Apesar de bem-sucedida, a divulgação da decisão do Tesouro demonstra que a equipe econômica acusou o golpe da crise política no mercado -no dia anterior, o dólar havia subido 2,67%, maior alta desde maio de 2004, e a Bovespa registrou seu terceiro pior pregão do ano, com queda de 3,39%. Vários analistas e empresários consideram que o governo não está conseguindo conter a onda de denúncias e que ela já afeta intenções de investimento.
Até então, o discurso oficial do ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, era minimizar o efeito econômico das denúncias de corrupção. Mas ontem quem falou foi o secretário-adjunto do Tesouro. ''O mercado está muito volátil. Hoje, depois de cair, o dólar voltou a subir um pouco. Isso faz parte do momento. É muito pontual'', disse Gragnani, no meio da tarde.
O Tesouro discorda, no entanto, que o nervosismo do mercado seja um sinal de que a crise política tenha contaminado a economia. Na avaliação do secretário-adjunto, os fundamentos da economia são sólidos e, portanto, oscilações bruscas no mercado não se prolongarão por muito tempo. ''Eu faço uma avaliação técnica, e os fundamentos (da economia) são extremamente sólidos'', declarou Gragnani.
No início do mês, o governo havia anunciado a intenção de intensificar sua atuação no câmbio, ao elevar em quase US$ 5 bilhões o volume de dólares a serem adquiridos no mercado financeiro a fim de pagar parcelas da dívida externa. Neste ano, o governo precisa pagar US$ 9,5 bilhões em juros e amortização da dívida no exterior.
O governo, porém, não anuncia o cronograma de operações do Tesouro no mercado de câmbio. O secretário-adjunto se recusou a informar quanto já foi comprado neste ano. A legislação permite que o Tesouro compre dólares no mercado num prazo de até seis meses antes do vencimento da parcela a ser paga. ''Estamos bem adiantados em relação ao cronograma para o segundo semestre'', comentou o secretário-adjunto.


