Tese sugere reestruturação de sistema cooperativista
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sexta-feira, 10 de agosto de 2001
Ana Paula Nascimento<BR>De Londrina 
As cooperativas agrícolas que quiserem sobreviver nos próximos anos terão que passar por reestruturações, principalmente no sistema de gestão, para se adaptarem ao sistema globalizado de comercialização. O alerta é do professor titular da Universidade Paranaense (Unipar), Régio Toesca, que concluiu recentemente trabalho de pesquisa sobre a saúde financeira das cooperativas paranaenses.
''É necessário modernizar a cadeia do agronegócio, investir mais na agroindustrialização e aproveitar o potencial de turismo e lazer no meio rural'', acrescentou Toesca. O estudo, que durou quatro anos, foi tema de sua tese de doutorado pela Universidade de Léon, na Espanha. Em julho, Toesca apresentou a pesquisa no Congresso Internacional de Custos, na Espanha.
Como parte do trabalho, foi possível desenvolver um modelo de previsão de insolvência de cooperativas, inédito no Brasil, que está colaborando para o desenvolvimento de um software, em parceria com pesquisadores europeus, que utilizará o banco de dados da pesquisa para fornecer informações mais precisas sobre as cooperativas. ''Os profissionais do setor ainda precisam melhorar o sistema de gestão, e o software, juntamente com uma consultoria adequada, pode colaborar para prever situações de falência e medidas preventivas, diminuindo os riscos'', comentou Toesca, que também é consultor da CMA Consultores Associados que há sete anos atua no Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo.
Segundo Toesca, ainda há pouco conhecimento da importância do setor cooperativista no Paraná, que responde por 60% do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola do estado, agregando mais de 200 mil associados que envolvem indiretamente 1,2 milhão de pessoas.
''Na maioria dos municípios paranaenses, a cooperativa é a empresa que mais gera empregos e recolhe tributos, consolidando-se assim, em forte instituição de desenvolvimento social'', comentou o professor.
No estudo, 42 cooperativas paranaenses foram avaliadas, e a falta de condição de capitalizar recursos foi o principal fator que impede um desempenho adequado das finanças. ''Seria muito importante que as cooperativas pudessem lançar títulos de crédito no mercado, com captação de recursos a longo prazo. Essa prática, que é proibida no Brasil, é comum nas cooperativas européias que dessa maneira favorecem o reinvestimento de capital'', explicou.
Outra característica do cooperativismo europeu, apontado por Toesca, é a realização de alianças estratégicas entre cooperativas e empresa privadas. ''No Brasil, as cooperativas tendem a ter uma atuação mais individualista e, portanto, perdem a oportunidade de melhorar os seus serviços.''


