Instituída a partir de 1994 com o objetivo de viabilizar financiamento rural com recursos da iniciativa privada, a Cédula de Produto Rural (CPR) não tem sido eficaz para a cultura de milho no Paraná. Essa é a análise do gerente do Banco do Brasil Edmilson Santos Assunção, que defende na próxima quarta-feira sua dissertação de mestrado sobre o tema, na Universidade Federal de Santa Catarina, como parte do programa de pós-graduação em Engenharia da Produção.
Pela CPR, o produtor rural, associações ou cooperativas podem vender antecipadamente a produção agropecuária. O valor da produção é recebido no ato da sua formalização, com o comprometimento de entrega futura em local e data estipulados no título. Mais flexível, esse sistema permite o financiamento das atividades de produção no momento e no volume que for mais favorável ao produtor.
Para participar do sistema, o produtor precisa do aval do banco, além de comprovar ter produção dentro de padrões específicos de qualidade.‘‘A produção paranaense se encaixa dentro dos parâmetros do CPR. No entanto, os produtores não participam efetivamente do sistema’’, observa Assunção.
De 1994, início do implantação do sistema, até 1997 nenhuma emissão de cédula para milho foi efetuada; em 98, houve 50 emissões; em 99, apenas seis emissões; em 2000, o total subiu para nove, e em 2001, dados ainda não foram concluídos, mas a expectativa é de continuidade da baixa adesão. Em média, no Paraná, são fechados 20 mil contratos de financiamento por CPR, sendo os de café, soja e bovinos os mais procurados.
‘‘O sistema não está funcionando para o milho, mesmo essa sendo uma das principais culturas do Estado, envolvendo 80% das propriedades até 50 hectares e responsável pela movimentação de cerca de R$ 2 bilhões por ano. A falta de liquidez do produto, acentuada com a produção excedente paranaense, prejudica o interesse comprador, emperrando o sistema de compra via CPR’’, comenta o gerente. Assunção não sugere a extinção do sistema, mas sim a implementação do formato e mais participação do governo para aumentar a liquidez do milho.
Entre as sugestões, está a de que o governo federal, dentro de seus programas sociais (merenda escolar e cesta básica), passe a adquirir, via CPR, as demandas apresentadas, contribuindo para enxugar o mercado. Os excessos de produção poderiam também ser adquiridos pelo governo, via Conab, com verificação constante dos mercados (estoques reguladores).
A criação, junto às bolsas de mercadorias, de contratos futuros de milho, a promoção de campanhas de esclarecimentos sobre CPR na rede bancária e institutos estatais de pesquisa e a concessão de financiamentos oficiais conjugados com empréstimos lastreados em CPR (mix de produto), desonerando os recursos controlados, também são apontadas como promotores do sistema. As conclusões do trabalho serão encaminhadas para o Ministério da Agricultura e direção do Banco do Brasil.

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