O presidente da Copel, Ingo Hubert, declarou ontem à Folha , através de sua assessoria de imprensa, que existe a possibilidade da estatal instalar uma usina termoelétrica na região Norte do Estado e que um pré estudo já está sendo feito para tentar identificar a viabilidade do investimento sob os pontos de vista econômico, técnico, financeiro e ambiental.
A construção de uma termoelétrica na região é imprescindível para viabilizar a extensão de um ramal do gasoduto Bolívia-Brasil até Londrina, na opinião do presidente da Compagás, Luiz Roberto Bruel. Ele acredita que a atual demanda de gás na região seja insuficiente para justificar a extensão do duto.
Bruel, que falou ontem à tarde com a reportagem da Folha , comprometeu-se a fazer esforço máximo para colocar o gás natural da forma mais econômica possível na região de Londrina. O preço do gás é fundamental para viabilizar a construção da termoelétrica, que o utiliza como combustível na geração de energia elétrica.
‘‘E por ser um grande consumidor de gás, a termoelétrica serviria como âncora na atração do ramal do gasoduto’’, explica. Uma usina de 450 megawatts utiliza 2 milhões de metros cúbicos de gás/dia. A demanda mínima necessária para justificar a construção de um duto varia de 1 milhão de metros cúbicos de gás por dia a 2 milhões de metros cúbicos/dia. ‘‘Do ponto de vista ambiental, a termoelétrica está sendo adotada no mundo todo como a solução que menos agride o meio ambiente na geração de energia’’.
A Compagás, responsável pela distribuição de gás natural no Paraná, é controlada pela Copel, que tem 51% de suas ações. ‘‘Também estudamos outras alternativas para trazer o gás a Londrina. Além de estarmos tentando a introdução da cidade na rota do gasoduto da Argentina, há a possibilidade de que Londrina seja contemplada com o gás de Pitanga, caso seja comprovado volume suficiente naqueles poços’’, afirma. Segundo ele, a Petrobrás deverá divulgar em 15 dias o resultado de um novo poço que está sendo perfurado em Pitanga.
Na próxima quinta-feira, Bruel participa de uma reunião na Argentina com um grupo de trabalho formado pelos sete distribuidores de gás do Sul e Sudeste do Brasil e seis grandes produtores argentinos de gás natural. ‘‘Estamos estudando em conjunto a viabilidade da construção de um novo gasoduto. Temos que emitir um parecer sobre o assunto até dezembro deste ano’’, revela. Ele afirma, porém, que a forma mais rápida de Londrina conseguir o gás seria mesmo através da extensão de um ramal do Bolívia-Brasil.
Ainda de acordo,com Bruel, um estudo da Compagás, que começa na próxima semana, deve apontar um consumo entre 150 mil metros cúbicos/dia e 250 mil metros cúblicos/dia. Ele afirma que, se esta expectativa se confirmar, será necessário um esforço, por parte de toda a comunidade, para a implantação de uma termoelétrica na região, que aumentaria consideravelmente o consumo do gás, viabilizando a extensão do duto até Londrina.

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