Carmem Murara
O secretário de Energia Benedito Carraro afirmou ontem que a uma das principais estratégias do governo federal para os próximos anos é diversificar as formas de geração de energia, investindo com prioridade nas termoelétricas. Num prazo de 10 anos a meta é ter 25 novas termoelétricas no País, o que garantirá um acréscimo de 12 mil megawatts no sistema, ou seja, o equivalente a 12 usinas com potencial igual a Salto Caxias. Segundo Carraro, o Paraná tem autorização para construir quatro termoelétricas neste período.
Carraro esteve na sede da Copel, em Curitiba, para manifestar o apoio do governo federal ao projeto de geração de energia pelas termoelétricas. ‘‘É interesse do governo federal que haja investimento nesta forma de gerar energia’’, afirmou Carraro. Ele disse ainda que a meta é aumentar de 3% para 18% a produção de energia pelas termoelétricas nos próximos 10 anos. Hoje, 97% da energia consumida no País vém das usinas hidrelétricas, que são mais caras e mais demoradas para serem feitas.
Como membro do Conselho de Administração da Copel, Carraro participou da reunião da diretoria feita à tarde. O presidente da Copel, Ingo Hubert, apresentou a ele como estão os estudos para viabilizar a construção das termoelétricas no Estado. Os dois maiores projetos são em Londrina (400 megawatts) e Araucária (450 megawatts). Há ainda a usina de Figueira (100 megawatts) e São Mateus do Sul (40 megawatts). ‘‘Cada uma das usinas vai ser construída em parceria da Copel com a iniciativa privada’’, afirmou Hubert. Elas têm previsão de ficar prontas num prazo máximo de três anos.
Além do investimento em termoenergia, outra estratégia do governo para garantir o abastecimento energético no País é estimular a interligação com outros países. O Brasil começa a importar energia da Argentina, Uruguai e Venezuela. Por enquanto foram fechados contratos pequenos entre a Eletrobrás e companhias energéticas argentinas e uruguaias, o que já garantiu a compra de 70 e 50 megawatts, respectivamente. A usina hidrelétrica de Itá (SC) já tem um contrato para comprar mais mil megawatts da Argentina. A Eletronorte viabiliza a compra de energia da Venezuela para abastecer Roraima.
Entre as prioridades de investimento do Ministério de Minas e Energia está a conclusão da usina de Angra dos Reis, a construção do terceiro linhão de Itaipu e a interligação do eixo Norte-Sul e Norte-Nordeste. Segundo o secretário de Energia, o País precisa investir R$ 8 bilhões, ao ano, em energia para suprir a crescente demanda. Todo este investimento é da iniciativa privada.

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