Albari RosaMarra e o antigo moinho de estilo inglês: administrador dos MatarazzoO terminal portuário de Antonina foi fundado em 1906 pelo conde Francisco Matarazzo e em pouco tempo de atividade se tornou o quarto maior porto do País. Ele foi construído para escoar as mercadorias que a própria Indústria Unidas Matarazzo produzia. As empresas trabalhavam com beneficiamento de sal, sabão, querosene, trigo e açúcar. Na década de 70, o porto entrou em decadência devido à concorrência do Porto de Paranaguá.
A família Matarazzo abandonou o porto em 72, mantendo apenas atividades esporádicas de desmanche de navios ou atracagem. Mas conservou um administrador que hoje é o mais antigo funcionário do local. Luigi Marra, um italiano de Napóles que ao desembarcar no Brasil em 52 foi contratado pelo conde, cuida do terminal como se fosse sua casa.
Com 66 anos, Luigi vive de lembranças de um período em que toda Antonina girava em torno do terminal. ‘‘Aqui trabalhavam 600 pessoas dia e noite. A gente só tinha folga no Ano Novo’’, conta orgulhoso, com forte sotaque italiano.
Com saudosimo, ele relembra as 700 casas construídas no estilo inglês que abrigavam os portuários. Todas foram demolidas e só sobraram quatro. ‘‘O Matarazzo dava tudo para a gente, desde comida, água, luz e casa’’, fala com tom de gratidão.
Luigi chegou a Antonina para ficar três meses. Passaram-se 45 anos. Ele casou, teve dois filhos e cinco netos. Hoje, o italiano dedica parte de tempo para cuidar de 23 carros antigos do museu do automóvel, instalado dentro do porto. Entre as raridades, há o primeiro Fiat produzido em 1904. Tem ainda Peugeot, Mustang, Renault Gordine e um Mercury, carro que ele jura ter pertencido à máfia. (C.M.)

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