France PresseVendido!O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, Marcelo de Azeredo, da Companhia das Docas, Alfredo Rizkallah, da Bovespa, o ministro Kandir e o leiloeiro Roberto da Costa batem o marteloCom um ágio de 171,2% - que superou todas as expectativas do mercado e do governo -, o maior terminal de contêineres do País, o Tecon 1, do Porto de Santos (SP), foi transferido ontem para as mãos da iniciativa privada, por 25 anos, pelo valor de R$ 274,4 milhões. O leilão de arrendamento do terminal foi realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e teve a participação de quatro consórcios integrados por algumas das maiores operadoras portuárias do mundo.
Após 14 minutos e 32 lances, o leilão terminou com a vitória do Consórcio Santos Brasil, liderado pelo banco de investimentos Opportunity Leste SA, o mesmo que comprou a Vale do Rio Doce, a Cemig e a Escelsa. O grupo arrematou o Tecon por um valor quase três vezes superior ao preço mínimo, de R$ 101 milhões. Entre os concorrentes estavam a anglo-chinesa Hutchinson, a anglo-australiana P&O e a norte-americana SSA, a maior operadora de contêineres do planeta.
Além do Opportunity, que tem 40% do capital, o consórcio é integrado pela Multiterminais do Rio de Janeiro (10%), que fatura cerca de R$ 100 milhões por ano, pela 525 Participações (15%), também do Rio, e pelos fundos de pensão Previ (20%) e Sistel (15%), patrocinados pelo Banco do Brasil e Telebrás, respectivamente.
A empresa que vai administrar o Tecon pelos próximos 25 anos tem um acordo de cooperação com a estatal alemã HHLA, a quarta maior operadora portuária do mundo, responsável pelo Porto de Hamburgo. Além de transferir tecnologia para modernizar o Tecon, a HHLA também poderá vir a participar do capital do consórcio Santos Brasil.
O consórcio informou, logo após o leilão, que pode antecipar a meta prevista no edital, de reduzir o custo de US$ 500 por contêiner para US$ 150 nos próximos dois anos. Segundo o diretor do Multiterminais, Geraldo Ferreira de Sá, o consórcio ainda não definiu o montante de investimentos a serem feitos, embora tenha circulado a informação, durante o leilão, de que o valor estaria entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões nos próximos dois anos. O Tecon 1 movimenta 210 mil contêineres por ano, volume que deve duplicar em dois anos.
Foram 32 lances sempre com valor mínimo de R$ 50 mil sobre a oferta anterior. A disputa foi travada principalmente pelas corretoras Garantia, Unibanco e Graphus.
Satisfeito com o sucesso do leilão, o ministro do Planejamento, Antonio Kandir, comemorou: ‘‘O País deu mais um passo importante no caminho irreversível das privatizações, que têm por objetivo atrair investimentos privados na área de infra-estrutura e eliminar os gargalos que impedem o crescimento econômico’’.
Segundo ele, a venda do Tecon tem um aspecto simbólico pelo fato de Santos ser o maior porto do País. ‘‘O Terminal de Contêineres deverá ser o mais importante no crescimento das exportações nos próximos anos.’’
Kandir destacou que a venda também teve importância imediata para o caixa do governo. Isto porque, além de um terço do preço mínimo, todo o ágio é pago à vista em dinheiro. O desembolso imediato do consórcio vencedor será de R$ 200,1 milhões.

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