A movimentação do empresariado londrinense na importação de produtos para a cidade fez com que o Terminal de Logística de Carga (Teca) do Aeroporto José Richa registrasse um bom fluxo de recebimento de cargas no ano passado. De acordo com o levantamento da Infraero, o terminal movimentou 1.396 toneladas em produtos, alta de 17,6% frente às 1.142 toneladas de 2014. Deste volume total, 99,8% são referentes a importações, principalmente de componentes eletrônicos, maquinários, materiais de construção e metais.
No Brasil, os 23 Tecas dos aeroportos da Infraero movimentaram durante todo ano passado 287,5 mil toneladas, sendo 60% referente a cargas nacionais, 27% de importação e 13% de exportação. Em 2014, o fluxo foi de 430,3 mil toneladas, ou seja, queda de 33,1% no período. A retração é justificada, segundo a assessoria de imprensa do órgão federal, porque cinco terminais acabaram sendo "perdidos" para a iniciativa privada, como é o caso de Guarulhos e Viracopos.
Já o terminal de Londrina foi inaugurado no final de 2008 e, após um período de oscilações no recebimento de cargas, acabou se consolidando a partir de 2014 (veja o gráfico). Em 2013, por exemplo, a movimentação foi de apenas 201 toneladas. Para o superintendente da Infraero em Londrina, Marcus Vinicius Pio, esse crescimento é justificado pelo processo constante de fidelização de clientes e algumas ações conjuntas com entidades parceiras do aeroporto, como a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Receita Federal, prefeitura, entra outras. "O terminal de cargas está sendo descoberto pelo empresariado da cidade, principalmente pela agilidade e um custo menor em comparativo a outros terminais. Houve uma conversa das entidades com exportadores, importadores e outros profissionais que trabalham com cargas para que o terminal fosse mais utilizado e isso está acontecendo", ressalta.

Estrutura
O Teca da cidade conta com área total de 2.020 metros quadrados, sendo 550 metros quadrados para armazenagem. Desde seu surgimento, não houve nenhum tipo de restruturação, mas Pio acredita que a Infraero pode autorizar ampliações de acordo com o aumento da demanda. "O crescimento da movimentação tem sido monitorado pela Infraero, principalmente a partir de 2014, quando houve um maior número de recebimentos e envios. No futuro, poderemos melhorar a infraestrutura, com novas empilhadeiras, e verticalizar o espaço, o que pode fazer com que a capacidade estática do local triplique".

Gargalo
O presidente da Acil, Valter Orsi, relata que o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial da entidade sempre trabalhou para que o aeroporto se tornasse uma porta de entrada para o empresariado local. "Uma voz corrente de quem utiliza a estrutura atualmente é que o terminal tem sido um facilitador para as movimentações das empresas. Quando foi inaugurado, havia muitas dificuldades em relação a balanças, espaço de armazenamento, mas com o tempo os problemas foram superados", relata.
Entretanto, há alguns pontos que ainda podem ser melhorados. Segundo Orsi, um posto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no local seria de suma importância para que essa movimentação fosse ainda maior, já que alguns tipos de produtos requerem laudos da agência para tal movimentação. "Temos uma estimativa que a Sandoz, por exemplo, faz em torno de 700 movimentos por ano neste sentido, utilizando os terminais de Campinas ou Curitiba. Um posto da Anvisa temporário, apenas quando houvesse demanda, já seria bem interessante. Temos estudado alternativas com o município para tentar vencer este gargalo", complementa o presidente da Acil.

Imagem ilustrativa da imagem Terminal de cargas decola em Londrina
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