Rio de Janeiro - Na contramão dos problemas de logística e infra-estrutura enfrentados pelos produtos que têm de ser exportados a granel, como a soja e o açúcar, os terminais de contêineres do País estão fechando 2003 com um movimento 13,5% superior ao do ano passado, ou 261% acima de 1995, quando foram privatizados, e ainda têm capacidade ociosa para comportar um crescimento de 41%.
''Podemos garantir estrutura para o aumento das exportações e importações decorrentes de um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) a 3% ao ano nos próximos quatro anos, sem investir mais um tostão'', diz o presidente da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec), Sérgio Salomão.
Estudo preparado pela Abratec, que deve ser divulgado nos próximos dias, aponta para o intensificação, até 2007, do crescimento do porto de Santos, que tem a maior movimentação do País. Santos deve chegar ao final de 2003 com 950 mil contêineres movimentados e chegará a atingir a marca de 1,3 milhão em 2007. Desde 2002, o porto já superou o de Buenos Aires, na Argentina, um dos mais conhecidos pela quantidade e eficiência em movimentação de contêineres.
Os investimentos privados na área, lembra Salomão, foram responsáveis pela melhoria da produtividade no setor, além da redução de custos. O índice de produtividade, segundo o estudo, aumentou em 430% em média, saltando de oito contêineres por hora, antes da privatização, para os atuais 35 contêineres por hora, o que coloca os terminais brasileiros próximos à produtividade dos mais tradicionais portos do mundo.
Já o custo de movimentação de um contêiner, que antigamente era de US$ 600 para o exportador, passou para uma faixa entre US$ 100 a US$ 200 por contêiner, dependendo do porto. ''Há mais concorrência e melhores condições de oferecer custos diferenciados'', comentou Salomão.
O estudo da Abratec salienta ainda o potencial de movimentação de valores do transporte de cargas conteinerizadas. ''Este tipo de transporte está contribuindo para a geração de reservas para o País'', diz Sérgio Salomão, citando o valor agregado de cada unidade. Cada contêiner exportado, segundo o estudo, gera US$ 26 mil de receita em média. Apenas para comparação, o aumento de demanda de uma tonelada de soja em grãos gera um acréscimo de US$ 200 mil nas reservas do País, enquanto uma tonelada de calçados gera US$ 15,47 milhões nas reservas.
Segundo Salomão, em 2003, o maior destaque dos portos associados à Abratec, foi o porto de Itajaí, que teve acréscimo de 30% em sua movimentação de contêineres, devido principalmente ao maior embarque de carnes frigorificadas. Além de Itajaí, também apresentaram crescimento expressivo em 2003 sobre o ano passado os portos de Sepetiba (24,5%) e Belém (27,8%). O porto do Rio de Janeiro teve crescimento de 12,8% e o de Santos, de 16,6%.

mockup