Termina período de queda nos índices de preços
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sábado, 16 de janeiro de 2010
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O período de deflação acabou nos Índices Gerais de Preços (IGPs). É o que mostrou ontem o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e que subiu 0,20% no primeiro mês do ano, após cair 0,07% em dezembro do ano passado, pressionado por combinação de aumentos de preços no atacado, varejo e construção civil. ''Acho que veremos cada vez mais, nos próximos meses, IGPs mostrando taxas positivas'', afirmou o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros.
Para janeiro, ele não descartou aumentos nas taxas do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), usado para reajustar aluguéis; e do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), utilizado como indexador das dívidas dos estados junto à União.
Na avaliação do analista da consultoria Tendências, Gian Barbosa, o fim da deflação em janeiro apontada pelo IGP-10 reforça a expectativa de que os IGPs não devem repetir, em 2010, o desempenho tão favorável observado em 2009 - quando todos os indicadores encerraram o ano em deflação, pela primeira vez na história. ''Destaca-se, entretanto, que não esperamos um patamar preocupante de inflação para 2010. Projetamos 3,0% para o IGP-M deste ano'', afirmou o técnico.
Para cálculo do IGP-10 de janeiro, foram coletados preços entre os dias 11 de dezembro e 10 de janeiro. Os três segmentos usados para cálculo do índice ajudaram no término da deflação. ''Mas o atacado (que representa 60% do total do indicador), foi mais uma vez o destaque do mês'', comentou o especialista da FGV. De dezembro para janeiro, os preços atacadistas saíram de uma deflação de 0,25% para alta de 0,07%.
Houve elevações de preços em itens importantes, como em materiais para manufatura (0,65%), cujos preços voltam a subir após amargarem quedas sucessivas, devido ao recuo na demanda por insumos industriais provocado pela crise global; e em alimentos processados (1,18%), influenciados por alimentos in natura mais caros, cuja oferta está sendo prejudicada por problemas climáticos, característicos desta época do ano. ''Em dezembro, materiais para manufatura e alimentos processados apresentavam quedas de preços, respectivamente de 0,41% e de 0,90%'', acrescentou Quadros.
Por sua vez, a inflação no varejo quase dobrou, de dezembro para janeiro (de 0,28% para 0,52%), devido às altas nos preços de alimentos (0,77%); tarifa de ônibus urbano (1,89%); e cursos formais (0,78%). Além do impacto de alimentos in natura mais caros, outra influência para o resultado, citada pelo especialista, foi o recente anúncio de alta de 17% no preço do ônibus urbano em São Paulo.
''Temos que notar também que o mês de janeiro sempre tem a inflação junto ao consumidor mais elevada, porque conta com aumentos de preços já esperados, como reajuste de preços em mensalidades escolares'', acrescentou. Já os preços na construção aceleraram (de 0,25% para 0,30%), impulsionados por materiais e mão de obra mais caros.


