A oferta de contratos de opção ao mercado do café não alcançou o objetivo de melhorar os preços recebidos pelos produtores. Quem sinalizou o exercício da opção, no início do mês, tem até hoje para entregar a mercadoria nos armazéns da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). Com o produto cotado entre R$ 155,00 e R$ 160,00, no Paraná, a maioria dos produtores que adquiriu contratos deve entregar café à Conab e garantir a remuneração de R$ 190,00 por saca oferecida pelo governo.
''O mercado não reagiu como no ano passado'', comentou o corretor Marcos Bacceti. No mesmo período de 2002, a possibilidade dos produtores exercerem a opção refletiu em disparada nos preços, que atingiram R$ 190,00 no Estado. Segundo o especialista, a explicação para esse comportamento diverso é que, este ano, o mercado está focado no clima.
Uma possível alta nas cotações, revelou, depende da situação climática nas regiões produtoras de São Paulo e Minas Gerais, que enfrentam déficit hídrico. ''Se não chover em uma semana, os preços podem disparar'', opinou, lembrando que o mercado trabalhou travado durante todo o dia. ''Estamos em compasso de espera.'' Outro fator de influência é a expectativa sobre a safra do ano que vem, que deve ser menor que os 50 milhões estimados pelo mercado.
Das 935,7 mil sacas contratadas para setembro, os produtores sinalizaram o exercício de 665,2 mil sacas até o último dia 15. O volume representa um custo de R$ 126,4 milhões ao governo. Para que o contrato seja exercido, o café precisa estar nos armazéns da Conab até hoje, nas condições estabelecidas nos avisos.
Todos os grãos devem ser da safra atual, em sacaria nova. Para o café arábica, exige-se bebida dura para melhor, tipo 6, peneira 14 acima, umidade máxima de 12,5% e até 86 defeitos. O produto que não se enquadrar nos padrões será recusado.
Bacceti estima que 30% dos produtores que sinalizaram a opção deixarão de entregar o café por não terem conseguido atingir a qualidade exigida. Não é o caso do cafeicultor Lino José Nardin. Proprietário de dois contratos, ele vai entregar 200 sacas de café à Conab. ''Deu trabalho, mas conseguimos chegar na qualidade necessária'', contou.
O exercício da opção, incluindo a sacaria nova, beneficiamento e frete, tem custo de R$ 11,00 por saca. Segundo o produtor, o lucro líquido de R$ 179,00 por saca não cobre os custos de produção. ''Mas é melhor que o preço do mercado.''
Com parte da safra guardada, Nardin espera que a cotação melhore até novembro, quando vence o prazo para exercício da opção contratada com garantia de R$ 195,00 por saca. Caso contrário, ele vai entregar o resto da produção ao governo.

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