Termina greve no Porto de Paranaguá
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sexta-feira, 07 de março de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Craw PenasÀs moscasO Porto de Paranaguá ainda estava vazio, ontem: depois de 22 horas seguidas de paralisação, estivadores decidiram pela volta ao trabalho no início da tardeDepois de dois dias de greve, os estivadores do Porto de Paranaguá voltaram ontem ao trabalho. A greve terminou no início da tarde após uma reunião entre estivadores e representantes das agências portuárias que durou quase 22 horas ininterruptas. As operadoras aceitaram dar o reajuste de 21% retroativo a março do ano passado, como pediam os trabalhadores. As atividades no terminal começaram assim que a paralisação acabou. A soja voltou a ser embarcada.
Além do reajuste, os estivadores aceitaram a redução na jornada de trabalho que passou de oito para seis horas. O porto será mais produtivo com o turno de seis horas, pois poderemos trabalhar 24 horas, afirmou o presidente do Sindicato das Operadoras, José Silvio Gori. O novo horário de trabalho entra em vigor a partir de 1º de abril.
O impasse nas negociações entre trabalhadores e as empresas estava no reajuste retroativo. As operadoras aceitavam dar os 21% desde que eles valessem a partir de março. Eles foram obrigados a reconhecer a dívida que tinham conosco, disse o presidente do Sindicato dos Estivadores, Ubirajara Maristani. O sindicalista calcula que a dívida das operadoras com os estivadores chegue a R$ 4 milhões.
As operadores devem voltar a negociar com os estivadores a colocação em prática da Lei de Modernização dos Portos. A lei tira do sindicato a exclusividade de contratar estivadores para as agências, criando a Organização de Gerenciamento de Mão de Obra. O sindicato dos trabalhadores é radicalmente contrário a proposta e por isso a discussão do assunto foi adiada.
Com o retorno a greve, o porto deve voltar a embarcar hoje as 50 mil toneladas de produtos nos 11 navios que estão atracados. A previsão é embarcar 48 mil toneladas somente de soja. Há 20 navios que aguardam a vez para atracar no cais. Três navios chegaram mudar a rota e foram para o Porto de São Francisco (SC) por causa da greve.
Como os caminhões não interromperam o descarregamento de soja, os armazéns estão quase cheios. Ontem, a fila de caminhões em frente ao porto praticamente desapareceu. Por causa da greve e do final de semana, os caminhoneiros adiaram a viagem a Paranaguá. As filas devem recomeçar a partir de segunda-feira.


