Terminou ontem a greve geral dos trabalhadores das indústrias moveleiras de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). A paralisação - que deveria prosseguir por tempo indeterminado - durou um dia só. Agora, segundo o sindicato dos empregados haverá uma ''greve pipoca'', que tem a intenção de parar as indústrias individualmente. Segundo o presidente Manoel Francisco da Silva, ontem, ''três ou quatro'' grandes indústrias foram paralisadas. A informação é contestada pelo sindicato patronal que afirmou que nenhuma indústria teve suas atividades paradas ontem.
A categoria luta por um reajuste de 10% do piso salarial, que atualmente é de R$ 423. Os empresários aceitam aumentar os salários em 7% e já concederam esse reajuste em agosto, mesmo sem a formalização da Convenção Coletiva de Trabalho. Com isso, o piso subiu para R$ 452. Outro ponto de impasse é a implantação do banco de horas, sugerido pela classe patronal. O pólo moveleiro de Arapongas é considerado o segundo maior do País em produção e faturamento. O primeiro é o pólo de Bento Gonçalves (RS).
De acordo com Silva, cerca de 15 indústrias já formalizaram acordos individuais concedendo reajuste salarial de 10% a seus funcionários, a revelia do Sindicato da Indústria Moveleira de Arapongas (Sima). A informação é contestada pelo advogado da entidade, José Manoel Fernandes, que afirmou que apenas três acordos foram formalizados. Ele acrescentou que os funcionários que não trabalharam segunda-feira não terão o dia descontado. No entanto, hoje, às 10 horas, será realizada mais uma rodada de negociação. Desta vez, o encontro será no Ministério do Trabalho, em Curitiba.
Polícia - Por enquanto, a greve está com um saldo de três boletins de ocorrência (B.O.) registrados na delegacia local. O primeiro deles foi registrado na segunda-feira de manhã contra o presidente do sindicato dos trabalhadores. O gerente de produção de uma empresa acusa Silva de incitação ao crime e injúria. Ele já foi intimado e deverá ser ouvido amanhã pelo delegado-chefe Sergio Luiz Barroso.
A outra queixa é de um trabalhador que afirma ter sido agredido pelo proprietário de uma indústria quando tentava entrar na empresa para conversar com os funcionários que estavam trabalhando. Neste caso, foi lavrado um termo circunstanciado por lesão corporal leve. O delegado afirmou que os dois casos irão para o Juizado Especial Criminal. O outro boletim foi registrado pelo sindicato dos empregados por furto de faixas com palavras de ordem sobre a greve.

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