Termina a greve dos bancários
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quarta-feira, 18 de outubro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O primeiro dia depois da privatização no Banestado foi marcado ontem pelo final da greve dos funcionários, iniciada no último dia 5. Eles decidiram retornar ao trabalho após o resultado da primeira audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, entre o departamento jurídico do Banestado e representantes do Sindicato dos Bancários. O acordo foi firmado quando o Itaú, novo dono do Banestado, anunciou que estava disposto a negociar e que não pretendia punir os grevistas.
Durante a negociação no TST, que foi mediada pelo ministro Almir Pazzianotto, os advogados do Banestado disseram que não poderiam mais negociar em nome do banco, pois em poucos dias haverá a mudança oficial de donos. O Itaú assume na terça-feira o Banestado.
O que estava em discussão na audiência no TST era a estabilidade de emprego para os funcionários por 18 meses. O Itaú foi consultado, mas informou que só negociaria com o fim da greve.
O diretor de Recursos Humanos do Itaú, Marco Antonio Sampaio, procurou demonstrar que está propenso a negociar com o Sindicato dos Bancários. Eu sempre negociei com sindicalistas. Sou um dos representantes da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) nas negociações. Vamos negociar.
Ficou acertado que as negociações serão retomadas a partir do próximo dia 25. Ainda não está marcada nova audiência de conciliação.
O presidente do Sindicato dos Bancário, José Daniel de Farias, disse que os funcionários estão dispostos a negociar. Mas eles temem que o Itaú venha disposto a demitir grande número de funcionários. Faria acredita que haverá um Plano de Demissão Voluntária (PDV).
O próprio presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, também prevê o lançamento de um PDV. Os gerentes da rede serão preservados em sua totalidade, mas deve haver um PDV para o setor adminitrativo e para os demais funcionários, afirmou ontem. Stephanes e o restante da diretoria passaram o dia no banco preparando uma reunião que será feita hoje com os diretores do Itaú.
Em Londrina, o movimento no Banestado voltou ao normal nas sete agências da cidade, nos postos de serviços e nas agências da região no período da manhã. Na avaliação do presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, José Francisco da Silva, a sociedade paranaense foi a grande derrotada no fim da paralisação, que durou 13 dias. Foi a sociedade que teve que engolir esse processo obscuro de privatização do banco.
Silva considera que a paralisação dos funcionários em todo o Estado levou a sociedade a debater a venda do banco. Mesmo com a privatização, vamos exigir a continuidade das investigações das denúncias feitas contra a administração do banco. (colaborou Benê Bianchi)


