Rio de Janeiro - O Brasil precisa gastar US$ 6,5 bilhões até 2010 para aumentar a participação das usinas termelétricas no total de energia elétrica gerada. Investido esse montante, a participação das térmicas passaria dos atuais 16% para 23% em 2010 e a probabilidade de ocorrer um novo apagão seria reduzida de um a cada 20 anos para um a cada 300 anos. Os dados são de estudo da Tendências Consultoria encomendado pela Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget).
Com o aumento na participação das térmicas, o risco de faltar energia cairia de 5% para 0,3%, segundo o estudo. Essa meta será atingida em 2010 se a economia brasileira crescer de 3,5% a 4% ao ano e o consumo de energia, 6% ao ano.
Para o ex-ministro do trabalho Edward Amadeo, sócio da Tendências, o governo não tem dinheiro para investir em energia por dois motivos: o ajuste fiscal e outras prioridades, como saneamento básico. Por isso, a maior parte dos recursos virão da iniciativa privada.
Segundo Amadeo, o gás, insumo das termelétricas, terá o preço reduzido em 15% devido à ampliação da produção nacional e à renegociação do contrato de importação da Bolívia.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Flávio Neiva, disse que tanto a expansão termelétrica como a hidrelétrica garantem maior segurança e confiabilidade ao sistema. A decisão de qual segmento terá destaque, disse, depende da vontade política do governo. ''Vão ser as licitações que mostrarão isso. É uma decisão política do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). O governo tem dado sinais de que prefere a expansão por meio de hidrelétricas.''
Neiva afirmou que defende o que for mais ''economicamente viável''. ''O que for mais barato deve ser construído.'' Hoje, disse, são as hidrelétricas.
Segundo Neiva, as térmicas ''são um seguro'' e que operando próximas a uma hidrelétrica otimizam as usinas movidas à água mesmo estando paradas.
Xisto Vieira Filho, presidente da Abraget, estima que o custo da geração térmica será menor do que a da hidrelétrica em poucos anos. Pelos dados da Tendências, o ''custo do déficit'' - quanto que o país perde num eventual apagão e que, em geral, é arcado pelos consumidores - é de US$ 2.670 por MWh/ano. É mais do que os US$ 690 por MWh/ano, estipulado em 2001, quando o País vivia o racionamento.

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