Terceiro setor começa a ganhar espaço no País
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de outubro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O investimento privado para fins públicos o chamado terceiro setor começa a crescer no Brasil no mesmo ritmo da economia nacional, de carona nas privatizações, no aumento da atividade econômica e, paralelamente, na maior preocupação das empresas com os problemas sociais. A entrada de companhias estrangeiras em áreas como as de telecomunicações e energia trouxe a experiência das matrizes de atuação no setor público para as filiais brasileiras.
Ao mesmo tempo em que cresce o volume de investimentos na área social, a idéia de cidadania empresarial substitui o assistencialismo e as ações passam a ser frequentes. Em 1998, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 1.400 empresas do Sudeste injetaram R$ 3,5 bilhões em programas sociais. O valor correspondeu a 30% dos investimentos estimados pelo governo para os Estados da região durante o mesmo ano, sem incluir os gastos da Previdência Social, e ficou abaixo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Sudeste.
O trabalho registrou que a verba foi gasta principalmente em assistência social, alimentação, segurança, esporte e educação, nesta ordem. Somente 8% das empresas (a maioria médias e grandes) afirmaram recorrer aos incentivos fiscais para financiar parte das ações sociais destinadas aos trabalhadores e seus empregados. O resultado mostra que, sozinho, o Estado não equaciona questões fundamentais, afirma a socióloga Ana Peliano, coordenadora da pesquisa.


