Terceirização internacional prejudica países emergentes
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sábado, 03 de julho de 2004
Marcelo Rehder<br>Agência Estado 
São Paulo - A onda de terceirização internacional ajuda a derrubar o volume de novos investimentos externos diretos em países emergentes como o Brasil. Essa é uma das conclusões de um estudo inédito feito pela matriz americana da Deloitte, uma das maiores empresas de consultoria do mundo. Em vez de investir diretamente na construção ou manutenção de fábricas em países em desenvolvimento, grandes companhias americanas como IBM, Hewlett-Packard e Nike preferem repassar a fabricação dos produtos a empresas já estabelecidas nessas economias.
De acordo com o estudo, os investimentos externos das empresas americanas nos últimos três anos permaneceram ao redor de US$ 30 bilhões anuais. Mesmo assim, a participação dos países ricos e desenvolvidos no total de investimentos americanos aumentou de 61%, em 2001, para 84%, em 2003. Para a Deloitte, a nova estratégia das empresas americanas ajuda a explicar a queda no volume de recursos aplicados fora desse círculo, já que os gastos com terceirização não são considerados investimentos diretos.
A pesquisa aponta o Brasil, China, Índia, Coréia e México como os principais focos dessa estratégia, que propicia economia considerável às multinacionais. Além de dispensar altos investimentos na construção de fábricas, elas não precisam pagar salários ou outros gastos fixos, nem mesmo quando há queda repentina nas vendas. E ficam livres para se concentrar em desenvolvimento de produtos, marketing e vendas.
A HyperData, empresa de capital taiwanês e americano, entregou a produção para a Solectron, subsidiária de uma das maiores empresas globais de manufatura por encomenda, instalada em Jaguariúna, no interior de São Paulo. A HyperData fatura cerca de R$ 250 milhões por ano, com as vendas mensais de 5 mil computadores - uma fábrica instalada com esse volume de produção custaria US$ 65 milhões. Incluindo outros gastos, como contratação de pessoas, imóveis e logística, o valor subiria para US$ 77 milhões.
O estudo da Deloitte mostra que os investimentos diretos dos EUA nos países latino-americanos despencaram. Depois do pico de US$ 8,2 bilhões em 1999, a região recebeu só US$ 600 milhões em 2002, último ano sobre o qual a pesquisa apresenta dados consolidados.
Argentina e Brasil lideram o ranking regional em redução de investimentos diretos americanos. No Brasil, segundo a pesquisa, o nível desses investimentos chegou a ficar negativo em US$ 224 milhões, em 2002.


