Terceirização exige qualidade dos serviços
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quarta-feira, 20 de julho de 2005
Vera Barão<br> Reportagem Local 
Para focar a atenção na principal atividade, empresas de diferentes setores estão optando pela terceirização de alguns serviços. Transferir ao parceiro o desenvolvimento de atividades não essenciais é uma tendência no mundo moderno e competitivo, porém as empresas devem se cercar de precaução com a qualidade da terceirização. Estudo recentes de um instituto de pesquisa aponta que a taxa de crescimento anual da terceirização é de 7,9%, entre 2003 e 2008.
Em Londrina, o maior volume da terceirização está distribuído nos setores de recepção, vigilância, limpeza, portaria, transporte, restaurante e alguns no campo administrativo. Na avaliação do consultor do Sebrae, Cristovan Dias Júnior, a terceirização é uma tendência mundial, porém, as empresas precisam ter claro que a legislação brasileira proíbe as terceirizações das atividades-fim.
Por outro lado, aquelas empresas que utilizam apenas o parâmetro preço para escolher seus parceiros, podem ser surpreendidas com uma avalanche de problemas, entre eles as ações trabalhistas, que a princípio, deveriam ser de responsabilidade da empresa de terceirização. Se cercando desses cuidados, a empresa vai passar a ter ganhos e vantagens com a terceirização, mas não redução de custos.
''Se a empresa pensar em termos de custo, ela pode ter os mesmos gastos ou até mais terceirizando. Mas há um ganho na terceirização, que é o fato da empresa focar seus esforços na sua principal atividade'', observa Júnior. Para ele, a empresa deve tercerizar de forma certa para não ter problemas trabalhistas. ''Não é só eliminar a folha de pagamento'', diz.
A avaliação feita pelo presidente do Instituto Brasileiro de Terceirização (IBTe), Ulisses Carraro, é de que os números sobre o crescimento da terceirização são otimistas. Porém, as empresas precisam conhecer bem a legislação brasileira sobre o assunto, sobretudo o que proíbe as terceirizações das atividades principal de uma empresa. ''É ilógico terceriziar o atividade fim. É nesse pessoal que a empresa vai investir, vai treinar'', comenta Carraro. Isso não quer dizer que elas não vão precisar de setores bem cuidados, mas que não sejam essenciais no seu cotidiano. ''É aí que entra contratação de outra empresa''.
Há outros procedimentos, alerta Carraro, que descaracterizam um trabalho terceirizado, entre eles o cumprimento de horários fixos e a subordinação. ''Constatadas essas características num trabalhador terceirizado, a empresa está gerando passivos fiscal, tributário e também trabalhista''. Por isso, salienta, é preciso saber onde está se buscando esta mão de obra.
Carraro comenta que IBTe nasceu com o objetivo de orientar as empresas nos processos de terceirização. Ele explica que os profissionais do instituto realizam uma auditoria em todas as áreas da empresa. Constatada alguma irregularidade, a empresa tem um prazo de 60 dias para se adequar às normas. ''Só depois de uma nova análise para saber se o problema foi sanado é que a empresa receberá um Selo Certificador do IBTe, atestando a qualidade empregada naterceirização'', Carraro. Esse trabalho custa em média R$ 6 mil e o selo tem validade por um ano. ''O selo não vem com a intenção de prejudicar ninguém no mercado. Quem trabalha direito no mercado não terá problema''.


