São Paulo O grupo de idosos com mais de 60 anos está crescendo no Brasil em relação aos demais segmentos etários da população e pode se tornar em breve uma força importante da economia, caso o setor privado perceba ''que as pessoas da terceira idade não são um problema para a sociedade e podem ajudá-la a progredir''. A opinião é do gerente de atendimento da Indicator GFK, Paulo Cidade, responsável pela pesquisa Panorama da Maturidade, feita com 1,8 mil idosos de nove regiões brasileiras.
Segundo estimativas da Indicator GFK, a terceira idade movimenta um montante de R$ 90 bilhões no País. O estudo aponta que, do total de gastos de todas as pessoas consultadas, 24% são com alimentação; 10% com remédios; 9% com planos de saúde; 6 % com energia elétrica; 6% com telefone e 45% com as demais despesas. Outro dado verificado aponta que 33% dos entrevistados comem fora de casa ao menos uma vez por mês e 72% fazem uso de algum tipo de medicamento. Além disso, 15% de pessoas da terceira idade alugam vídeo/DVD uma vez por semana.
''É preciso um certo grau de sofisticação por parte das empresas para entender esse segmento da sociedade, pois ainda existe o mito de que a pessoa da terceira idade é totalmente dependente'', afirma Paulo Cidade. A pesquisa mostrou que os idosos querem se sentir igual aos demais grupos da sociedade e não gostam de frequentar bailes e atividades promovidas para a terceira idade. Segundo os dados, 8% responderam que vão pelo menos uma vez por mês a bailes , enquanto 74% disseram que não fazem e nem querem participar de nenhum tipo de trabalho voluntário.
De acordo com a consultora do Serviço de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae) em Londrina, Márcia Gilbertone, os negócios envolvendo as pessoas da terceira idade começam a se destacar como um nicho de mercado importante da economia. ''Em Londrina este ainda é um mercado muito tímido, mas o setor é promissor'', afirma Márcia. A consultora contou que, segundo dados de um instituto de pesquisa do Brasil, até 2020 a expectativa é de que o País seja o sexto no mundo em número de idosos, aumentando com isso o número de negócios do setor. ''Eles não têm um poder aquisitivo muito grande, mas começam a se preocupar mais com a qualidade de vida'', acredita.
Para conquistar esse público, uma das donas da agência de viagens Navega Tur, Sheila Navega de Souza Prata, conta que além de tratamento diferenciado a agência oferece preços e planos especiais para os idosos. A investida parece estar dando certo. Sheila revela que 95% dos clientes da agência são pessoas acima de 55 anos. ''Essas pessoas não têm o poder aquisitivo muito grande, mas pagam tudo certinho'', enfatiza.
Segundo a empresária, a procura pelos pacotes de viagens é muito grande e o programa preferido dos idosos são os passeios ao resorts e termas, além das viagens para a região Nordeste.''São pessoas independentes e que buscam programas seguros'', acrescenta.
Na agência de turismo Bellas Viagens, 70% das viagens são negociadas entre os idosos. Segundo Sueli Maria de Oliveira, uma das proprietárias, a agência começou a se voltar mais para os grupos de terceira idade, depois de perceber que nessa faixa etária, geralmente, as pessoas têm mais disponibilidade de tempo para passear.(Com Agência Estado)

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