Ribeirão Preto Na abertura da 12 Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), ontem, em Ribeirão Preto, a preocupação das autoridades do setor e até de políticos era uma só: que a taxa de juros Selic não aumente entre hoje e amanhã, durante a reunião do Conselho de Política Monetária (Copom). Era a tensão pré-Copom estampada e alardeada por todos.
O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), com sua língua afiada, cutucou um possível novo aumento. ''É mais um entrave para o desenvolvimento do País se houver nova alta de juros'', afirmou ele. ''Minha posição é de protestar se houver novo aumento'', avisou Cavalcanti. ''Os empresários já estão cansados, a sociedade já não aguenta mais'', disse.
Outro que protestou com convicção contra os juros e o câmbio foi o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, lançado por Cavalcanti como candidato a presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). ''Temos tudo, tecnologia, para dar um banho no mundo, mas esse câmbio está prejudicando e tirando a nossa competitividade'', enfatizou Skaf. ''Os juros precisam baixar e se não baixar é um mal para o País e o Copom que se responsabilize'', emendou.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, não entrou em rota de colisão. ''Mais importante que os juros é o câmbio'', destacou Rodrigues. ''Juros altos são atração de investimentos em dólar especulativos ou não para aplicação no Brasil e o Banco Central está estudando outros mecanismos de combate à inflação, que é a prioridade do governo para evitar esse crescimento.'' Rodrigues não quis opinar sobre o que poderá ocorrer aa reunião do Copom. ''Isso é um assunto decidido pela área técnica financeira do governo.''
Mas outras pessoas ligadas à agricultura não perderam a oportunidade de, efusivamente, criticar o possível aumento da taxa de juros. ''Se aumentar os juros de novo, é mais um desastre'', atacou o secretário da Agricultura de São Paulo, Antônio Duarte Nogueira Júnior. ''O Brasil precisa parar de ser um país 'jurista', não o do Poder Judiciário, mas dos que vivem dos juros na economia'', alfinetou ele. ''O Brasil já tem o recorde mundial de juros altos e poderá batê-lo novamente.''
Público - A organização da Agrishow aposta numa queda de negócios, mas espera um público maior, cerca de 160 mil visitantes, 10 mil a mais que em 2004. Mas o primeiro dia de feira foi abaixo da expectativa. Era visível a tranquilidade para chegar ao local da feira, que reúne estandes com 610 expositores. Vendedores ficaram a maior parte do tempo parados ou conversando, sem ter o que fazer.
''Pela estrutura montada, o volume de público é o pior de todos os 11 anos que estive aqui, mas acredito numa melhora nos últimos dias'', disse o coordenador de marketing e produto da Valtra, Rogério Zanotto, que aposta nos negócios envolvendo o setor sucroalcooleiro, em boa fase.

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