Tensão no campo pode afetar investimentos, diz ministro
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quinta-feira, 21 de agosto de 2003
Ângela Lacerda<br> Agência Estado 
Camaragibe O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, afirmou ontem que no exterior há preocupação com a possibilidade de retração de investimentos internacionais no Brasil, devido à tensão no campo. ''Fui informado pelo embaixador Thompson Flores, chefe de gabinete na Organização Mundial do Comércio (OMC), que essas notícias circulando pela Europa acabam produzindo preocupação em relação ao Brasil'', disse, ressaltando que o problema ''não é a invasão de terra em si ou o Movimento dos Sem-Terra (MST), mas a repercussão na garantia do direito de propriedade''.
Ele comentou que internamente ainda não há impacto negativo com a mobilização de sem-terra de um lado, ruralistas de outro e o aumento das invasões de terra. ''Mas a insegurança pode, no médio prazo, provocar redução de investimento'', observou o ministro, ao frisar que, por enquanto, o agricultor continua investindo. ''As vendas de fertilizantes cresceram 10% e as máquinas agrícolas têm encomenda garantida até o fim do ano.''
Rodrigues descartou, entretanto, qualquer temor com relação a uma repercussão da tensão social no comércio externo e no resultado das exportações do País. ''O Brasil é tão competitivo e eficiente, em agricultura, que é capaz de avançar sobre os demais países, tanto que lá fora os nossos concorrentes usam todo tipo de argumento para frear nossos produtos'', afirmou. ''Na área comercial, não há razão para preocupação.''
Apesar de reconhecer o ''momento difícil, os questionamentos e a incerteza no campo'', o ministro destacou sua confiança na capacidade de negociação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir a tensão na área rural e na disposição de fazer a reforma agrária ''sob o império da lei, dentro do estado de direito''. ''Estou certo de que o processo caminhará a bom termo'', observou Rodrigues.
O ministro deu entrevista em Camaragibe, município metropolitano do Recife, onde participou, pela manhã, de encontro de cooperativas do Nordeste. Ele assinou convênios para capacitação no valor total de R$ 1,1 milhão com cooperativas de sete estados da região (exceto Piauí e Alagoas).


