Tensão nas bolsas faz o dólar subir
Agência Folha
De São Paulo
As fortes quedas registradas ontem nas Bolsas de Valores de todo o mundo especialmente no Nasdaq, das empresas de alta tecnologia (leia ao lado) fez com que os investidores brasileiros ficassem mais cautelosos em relação ao futuro do câmbio e das taxas de juros no País.
Os contratos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), ontem,
projetaram, para maio, que o dólar vai valer R$ 1,753 aumento de 0,31% em relação ao ajuste da última sexta-feira. As projeções indicavam ainda que, em junho, a moeda norte-americana deve ser cotada a R$ 1,769, alta de 0,40% no dia.
Segundo João Medeiros, da Pioneer Corretora, o aumento observado no mercado futuro é resultado de uma maior procura por hedge (proteção). Para se proteger de uma possível valorização do dólar, alguns investidores compram, hoje, a uma cotação pré-determinada, dólares que só serão entregues no futuro. Quando as incertezas sobre o câmbio aumentam, um maior número de pessoas procura essa proteção, e a cotação da moeda acaba subindo. No mercado à vista, o dólar comercial subiu 0,29% e fechou o dia cotado a R$ 1,741 (compra) e R$ 1,742 (venda).
Medeiros classifica o mês de abril como crítico para o mercado de câmbio, já que os vencimentos externos para o mês totalizam cerca de R$ 3 bilhões. Além disso, preocupam os investidores os rumos que o Nasdaq irá tomar. Está todo mundo angustiado, afirma.
Os contratos da BM&F também indicaram um aumento nos juros futuros, principalmente nos prazos mais longos. O DI projetado para outubro ficou em 18,22% contra 17,89% de sexta-feira. Para setembro, a projeção subiu de 17,90% para 18,15%.
Isso reflete a expectativa do mercado quanto a possíveis reduções da taxa Selic. Com as incertezas no cenário externo, o Banco Central pode ser mais cauteloso em relação à política monetária, o que pode significar uma diminuição no ritmo dos cortes nos juros.
Na BM&F, o CDI futuro projetou taxa de 18,32% ao ano para maio (contratos que vencem em junho). A taxa média da Selic, no over, foi de 18,48%, projetando 18,48% para abril. A taxa no CDI (interbancário) foi de 18,40%, com projeção de 18,40%. O CDB de 30 dias pagou 1,34%. A poupança que vence hoje rende 0,6387%.
A média ponderada do dólar comercial do Banco Central ficou em R$ 1,7407, queda de 0,38% em relação a sexta-feira. O dólar comercial fechou em R$ 1,741 para compra e R$ 1,742 para venda. O dólar paralelo fechou em R$ 1,85 (compra) e R$ 1,87 (venda). O dólar-turismo fechou em R$ 1,71 (compra) e em R$ 1,80 (venda).
A Bolsa de Valores de São Paulo registrou baixa de 3,22%, fechando em 17.245 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 598,733 milhões. Na Bolsa do Rio de Janeiro, o índice registrou queda de 2,59%, e o volume negociado foi de R$ 15,459 milhões. Os T-Bonds de 30 anos fecharam com taxa de 5,81% ao ano.
O Dow Jones fechou em alta de 2,75%. O Nasdaq caiu 7,62%, e o S&P-500 teve alta de 0,49%. Em Londres, o índice Financial 100 registrou queda de 1,28%. Na Argentina, o índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, caiu 0,55%. A Bolsa de Tóquio registrou alta de 1,92%. A taxa libor (prazo de seis meses) fechou em 6,51%.





