O 14º dia da greve nacional dos bancários teve momentos de grande tensão, ontem, em Londrina. Contrariando uma determinação judicial que proibia a realização de manifestações no raio de 50 metros de distância das agências do Banco Itaú, representantes do Sindicato dos Bancários se prostraram em frente à agência do Calçadão com cartazes e alto-falantes. Policiais militares vigiaram a movimentação à distância e houve bate-boca entre sindicalistas e oficiais de justiça.
Segundo o advogado do sindicato, Edmilson Nogina, a entidade decidiu ignorar a ordem judicial depois de constatar que a ação civil movida pelo Itaú era irregular. Ele explicou que, no último dia 21, o banco havia entrado com ação na 3 Vara Cível para conseguir um interdito proibitório, que impediria protestos num raio de 50 metros das agências.
Como o pedido teria sido indeferido duas vezes pelo juiz, o banco teria então ingressado com representação semelhante na 7 Vara Cível, dessa vez caracterizada como ação combinatória. ''Isso é ilegal, entendemos que o banco usou de má-fé. Já entregamos (anteontem) ao juiz cópias de vários documentos que comprovam a irregularidade'', afirmou.
Pela manhã, o oficial de justiça, Airton Sérgio Fujiwara, foi até a agência do Itaú no Calçadão tentar cumprir a ordem expedida pelo juiz da 7 Vara Cível José Cichocki Neto, mas esbarrou na resistência do sindicato. As conversas evoluíram do diálogo para o bate-boca, e mesmo com o clima de tensão a Polícia Militar optou por não interferir.
''Entendo que a polícia está descumprindo uma ordem judicial. Isso será reportado ao juiz e talvez sejam apuradas as responsabilidades dos policiais'', disse o oficial. Diante da impossibilidade de cumprir a ordem, Fujiwara deixou o Calçadão por volta das 14 horas.
No final da tarde, o Sindicato dos Bancários de Londrina conseguiu revogar a liminar que favorecia o Itaú. Durante o dia poucas agências da rede funcionaram. Segundo o presidente da entidade, Geraldo dos Santos, o banco foi multado em R$ 4 mil que deverão ser pagos em cinco dias à Receita Estadual do Paraná. Ontem, a adesão à greve atingiu 50% dos bancários na base (26 municípios) e 53 das 108 agências existentes.
''A ordem agora é trabalhar para fortalecer o movimento cada vez mais'', afirmou o secretário geral da entidade, Wanderley Crivellari, ao garantir a presença de sindicalistas em todas as agências fechadas na cidade.
Outra maneira para alcançar esse objetivo, segundo o sindicalista, é recorrer à Justiça para derrubar toda as liminares conquistadas pelos bancos (Bradesco, HSBC, Sudameris, Banco Mercantil do Brasil, ABN Real e Banco do Brasil). ''O Bradesco, por exemplo, está utilizando uma liminar obtida em janeiro deste ano quando protestávamos contra as demissões e o Real está usando outra que obteve em 2001'', disse Santos. (Colaborou Betânia Rodrigues)

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