Tensão externa e ruídos em torno de Bolsonaro derrubam as bolsas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Agência Estado 
Dólar (subiu)
Bolsa (desceu)
Tensão externa e ruídos em torno de Bolsonaro derrubam as bolsas
Ibovespa cai 2,80% e fecha aos 83.679,11 pontos
A combinação entre o mercado externo avesso ao risco e os ruídos em torno do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) levou o Índice Bovespa a uma sessão de fortes correções nesta quarta-feira (10). No cenário internacional pesaram incertezas quanto à política monetária americana e o ritmo de crescimento da economia global, em meio às disputas comerciais entre países. Por aqui, contribuíram para as ordens de venda as sinalizações de Bolsonaro sobre privatizações e reforma da Previdência. O índice já iniciou o dia em terreno negativo e ampliou gradativamente a tendência de queda, para fechar aos 83.679,11 pontos, com queda de 2,80%. Os negócios somaram R$ 14,4 bilhões.
Dólar volta a subir e registra alta de 1,28%
O mercado reverteu o bom humor nesta quarta e o câmbio, que chegou aos R$ 3,71 na terça-feira, voltou a subir e renovou sucessivas máximas próximo do fechamento. O dólar terminou cotado a R$ 3,7631, alta de 1,28% em uma mescla de mau humor com a situação política e, sobretudo, impactado pelo cenário internacional, com dados mais fortes da economia americana e um movimento de alta dos títulos americanos. Apesar da alta, o câmbio acumula uma queda de 2,41% na semana e de 7,11% no mês. "O mercado de hoje (quarta) foi um reflexo do cenário externo, lá fora foi um banho de sangue", aponta Pedro Paulo Silveira, economista da Nova Futura corretora.
Mau humor externo estimula alta das taxas de juros
O dia foi de realização de lucros no mercado de juros e as taxas, que caíram bastante desde segunda-feira em reação ao cenário eleitoral, fecharam em alta nesta quarta. A correção foi estimulada pelo mau humor do exterior. Em menor grau, houve ainda um pouco de ajuste na euforia com o cenário eleitoral. Na sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 subiu de 7,614% para 7,71% e a do DI para janeiro de 2021, de 8,644% para 8,76%. A taxa do DI para janeiro de 2023 fechou em 10,06%, de 9,963% na terça no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 encerrou a 10,67%, de 10,593%. Na sessão estendida, as taxas subiram um pouco mais.
Avanço das taxas é considerado moderado
Na avaliação dos profissionais o avanço das taxas nesta quarta foi até moderado, considerando o tamanho do ajuste de queda recente e também o elevado nível de tensão externa nesta quarta-feira. "Lá fora está bem feio hoje, com bastante aversão ao risco e, por isso, o mercado aproveitou para realizar", resumiu Getúlio Ost, trader de renda fixa do Banco Sicredi, lembrando que o índice Vix, conhecido como "termômetro de medo de Wall Street", tinha alta forte nesta tarde. Uma série de fatores serviram de gatilho para pressionar os ativos, entre eles as preocupações com o crescimento global após revisões em baixa feitas pelo FMI e pela OMC.



