Tensão cresce no estuário do PR
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sábado, 08 de setembro de 2007
Agnaldo Brito<br>Enviado especial Agência Estado 
A tensão social no estuário do Paraná está crescendo. Cerca de 5,4 mil pescadores das Baías de Paranaguá, Antonina e Guaraqueçaba formam o estuário paranaense a que se referem os casos de vazamento de petróleo e derivados ocorridos na região em 2001. A indenização devida pela Petrobras seria uma solução, mas tarda sobremaneira - e por hora nada parece indicar uma solução. Numa atitude inédita, o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná iniciou uma série de negociações com a estatal. Os 5,4 mil processos contra a Petrobrás por danos morais e materiais começaram a subir da primeira para a segunda instância.
Em todos, a Petrobras perdeu. Os juízes têm arbitrado um valor de R$ 42 mil reais por pescador para cobrir ambos os danos em cerca de 450 processos julgados localmente. Em 14 de agosto, os advogados da estatal participaram da quarta audiência no TJ paranaense e fizeram uma oferta de R$ 6,8 mil de indenização para cada pescador. Também tentaram um acordo sobre as ações civis públicas que pedem multa de R$ 7 bilhões para a Petrobras. As ações incluem, além do vazamento na Serra do Mar que atingiu os pescadores, o derramamento de 4 milhões de litros de óleo bruto no Rio Iguaçu, na Bacia do Paraná, em 2000. São casos que aguardam perícia, como informou Saint Clair Honorato Santos, procurador de Justiça e Coordenador de Apoio Operacional das Promotorias de Proteção ao Meio Ambiente do Estado.
Além da situação precária dos pescadores, não existe hoje conhecimento sobre os efeitos da poluição na região. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) identificou traços de organoclorados (entre os quais metais pesados) em botos que vivem na área. Os mesmos animais têm sinais de hidrocarbonetos (petróleo). O estudo dos 400 botos que vivem no estuário é importante porque eles estão no topo da cadeia alimentar no ambiente marinho e, portanto, são acumuladores naturais de substâncias, já que se alimentam da fauna local. O mesmo peixe que alimenta o boto, alimenta a população do estuário. A reportagem tentou falar com a desembargadora Rosana Fachin, encarregada de mediar um acordo, mas não obteve retorno.
(A.E.)


