Agência Estado
De São Paulo
O cenário de curto prazo, até o fim do ano, carrega algumas incertezas, mas o quadro mais favorável projetado para o próximo ano pode ser antecipado com a melhora de alguns indicadores ainda em 1999. Até dos que estão agravando as expectativas, como a inflação e o câmbio, na avaliação de Hugo Penteado, economista e estrategista do ABN Amro Asset Management.
A trajetória da inflação até o fim do ano é descendente, tanto na variação de preços no atacado como no varejo. ‘‘O avanço da inflação em ambiente de recessão se dá apenas com choque de oferta’’, afirma, referindo-se às pressões provenientes da desvalorização cambial, do tarifaço, entre outras.
Para Penteado, o dólar deve equilibrar-se em torno de R$ 1,90 a R$ 1,93 até o fim do ano. Se isso se confirmar e a demanda na economia se mantiver desaquecida, o Banco Central (BC) poderá até cortar o juro básico, de 19% ao ano desde 12 de setembro, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a última do ano, em 15 de dezembro.
Um fator negativo no câmbio é que o fluxo de divisas tende a permanecer desfavorável neste ano, com volume de saídas superior ao de entradas. A atenção no câmbio deve estar focada, portanto, na capacidade que o BC tem de atuar no mercado para manter as cotações sob controle.
A retomada de valorização das ações nesta virada de mês está antecipando a melhora de cenário, internacional e doméstico, projetada para o ano que vem. A expansão prevista para as principais economias mundiais deve levar à alta dos preços das commodities, com aumento das exportações e, portanto, melhora na balança comercial.
Uma condição necessária para a melhora econômica é a conquista do ajuste fiscal, para a consolidação do superávit primário (diferença entre receitas e despesas públicas, sem incluir os juros) e queda mais acentuada das taxas de juros. Nesse caso, o cenário será altamente favorável para a Bolsa, porque aponta para inflação baixa e juro real baixo em 2000. ‘‘O juro real deve cair abaixo de 10% ao ano, bastante inferior à média de 21% do Plano Real, incluindo o deste ano, que recuou para 15%.’’
O economista e estrategista do ABN Amro Asset Management sugere ao investidor com disposição ao risco a aplicação de parcela de recursos disponíveis no médio a longo prazo em ações, via fundo de derivativos. O restante do dinheiro deve ficar ancorado num fundo DI ou prefixado, de acordo com o perfil do investidor. ‘‘Em qualquer caso, é preciso escolher bem o administrador e confiar nele.’’Técnicos prevêm que o câmbio encerre ano entre R$ 1,90 a R$ 1,93. Inflação sob controle também contribuiria para a queda das taxas
Arquivo FolhaQUADRO PREVISTOSe câmbio não ultrapassar o nível de R$ 1,93, como esperam os especialistas, e a demanda na economia se mantiver desaquecida, o Banco Central poderia cortar o juro básico, de 19% ao ano, na próxima reunião do Copom, em 15 de dezembro

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