Tendência mundial é de fusão ou incorporações
Curitiba O consultor de supermercados e ex-diretor do Grupo Sonae José Lúcio da Silva considera que seja normal a venda e a incorporação de lojas supermercadistas para grandes redes. De acordo com ele, existe uma tendência mundial de crescimento do setor em torno de poucas redes. Nos países desenvolvidos, poucos grupos dominam cerca de 70% do setor de hipermercados. No Brasil, 40% do setor estariam com os os grandes grupos supermercadistas. ''Esse é um processo que está acontecendo há alguns anos, desde 1980. Grandes bancos se fundiram ou compraram outros. Depois foram as indústrias. Desde 1997, os supermercados estão se fundindo ou comprando outros para crescer de forma mais rápida'', disse Silva.
Ele citou como exemplo o caso do próprio Grupo Sonae que teria comprado na época o Mercadorama (do grupo Demeterco), o Coletão, o Mufattão e o Nacional. ''O Grupo cresceu uma estrutura forte, com defesa de mercado. Por causa da globalização, a tendência é sempre buscar a incorporação. Isto reduz custos e aumenta a lucratividade'', pontuou o consultor. Ele lembrou que o Wal-Mart detém no Nordeste parte do mercado nacional e está presente com intensidade em São Paulo. Há alguns anos, o grupo teria tentado comprar o Mercadorama, mas não teria conseguido. ''Talvez seja a hora do Wal-Mart crescer no Sul do Brasil. O Grupo Sonae caso venda realmente suas unidades pode estar querendo sair do Brasil ou se concentrar em outra atividade que detém tecnologia, como a de construção de shoppings ou telefonia'', disse.
Silva não acredita que mesmo com a conceNtração do mercado em torno de algumas redes, os pequenos serão inviabilizados. Até porque eles têm o diferencial de procurar ofertar rapidez e personalização no atendimento ao cliente, dentro de um bairro. Na França, é comum as pequenas redes terem lojas ao lado dos hipermercados para atrair público. ''Lá, as pequenas redes são chamadas de parasitas porque vivem em torno das outras''. Em Curitiba, a tendência de fusão e incorporação segundo o consultor é grande. Até porque a concorrência seria forte. ''Não tem como não entrarmos neste ciclo de mudanças. A não ser que haja um crescimento populacional forte ou um crescimento do poder aquisitivo'', ponderou ele.
A assessoria de imprensa da Associação Paranaense dos Supermercados (Apras) informou que a entidade só vai se manifestar sobre o assunto, após a negociação ter sido concretizada. (L.P.)





