Para o professor José Roberto Ferro, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), coordenador da pesquisa Paraná Automotivo, a tendência para os próximos anos é uma redução da velocidade de crescimento do setor automotivo no Estado. ‘‘Há uma série de limitantes internos e externos que apontam para uma queda no crescimento do número de unidades produzidas’’, disse. Segundo Ferro, a melhor alternativa para as fornecedoras locais é contar com o aumento do conteúdo de empresas paranaenses nos veículos.
O professor estima que atualmente o índice de peças produzidas no Paraná está hoje próximo de 35%. ‘‘Isso é muito baixo, demonstrando que aquelas cláusulas contratuais que exigem um índice mínimo de peças locais não funcionam.’’ Para Ferro, é possível acontecer um crescimento de 10% ao ano do índice de peças locais nos veículos nos próximos três anos. ‘‘Se isso ocorresse, teríamos veículos sendo produzidos no Paraná com 70% de peças locais, o que seria excelente.’’
A instalação de fábricas de automóveis em outros Estados é um dos fatores externos para a redução da velocidade de crescimento da produção paranaense. ‘‘Existem fábricas no Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro que estão começando a produzir e isso vai impactar no pólo daqui’’, afirma. De acordo com o professor, o Paraná tem potencial para representar entre 9% e 10% da produção nacional, mas não deve passar disso. ‘‘Para se consolidar no cenário nacional, a produção paranaense tem que melhorar os índices de qualidade e produtividade.’’
Ainda de acordo com o especialista em cadeia automotiva, apenas este setor não tem condições de modificar o perfil da economia paranaense. ‘‘Esse é o primeiro passo, mas mudar perfil econômico é algo mais demorado do que a instalação de um pólo produtivo.’’ Para Ferro, só com uma maior participação de empresas de origem paranaense como fornecedores de autopeças para as montadoras será possível ter benefícios locais mais consistentes. (E.C.)

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