Tendência é de moeda seguir em alta
No curto prazo, o dólar deve continuar subindo devido às incertezas da economia e da política brasileiras. A opinião é do economista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado. "Há notícias de diminuição da classificação de risco do Brasil. Isso tudo traz insegurança. E ainda há o fator China (desaceleração econômica do país asiático) que joga mais incertezas no cenário externo", avalia.
Mas, ao final do ano, a aposta de Curado é de que o câmbio fique um pouco mais baixo, entre R$ 3,25 e R$ 3,30. Alguns fatores, de acordo com ele, justificam a crença de que haverá uma acomodação do dólar no ano que vem. "Os juros altos praticados no Brasil devem trazer mais capitais para o País", declara. Outro aspecto positivo, na visão do economista, é que o Brasil tem conseguido deter capital estrangeiro de longo prazo. "A entrada de US$ 65 bilhões por ano tem ajudado a segurar o câmbio", afirma.
Para ele, uma boa dica para quem vai viajar nos próximos meses é comprar dólar aos poucos. "A ideia é diluir o risco das oscilação do câmbio", declara. Questionado se é hora de comprar ou vender a moeda norte-americana, ele responde que investir em moeda estrangeira é coisa para profissional. "Não recomendo a ninguém comprar dólar (se não for para viajar)", afirma.
Além de fracionar a compra de dólar, outra boa dica é que o turista pesquise em várias casas de câmbio. Em levantamento realizado ontem à tarde em 13 lojas de Londrina, Maringá e Curitiba, a reportagem encontrou valores de R$ 3,54 a R$ 3,62.
O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou ontem que o Brasil usa o modelo de câmbio flutuante e que o Banco Central (BC) faz operações para mitigar volatilidades quando considera necessário. O FMI defendeu nesta terça, em relatório, que o Brasil faça intervenção no câmbio para conter o excesso de volatilidade da moeda brasileira. Questionado se o momento exige algum tipo de medida nesse sentido, Barbosa foi reticente. "Essa é uma área de atuação do Banco Central, nós seguimos a política de câmbio flutuante e o Banco Central faz suas operações cambiais quando achar necessário fazer isso para reduzir a volatilidade. Sobre isso, não tenho nada a acrescentar", disse.
As afirmações foram feitas após reunião com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, na qual Barbosa discutiu as contas do governo Dilma Rousseff - que passam por avaliação da Corte pelas chamadas "pedalas fiscais". "Eu vim fazer uma visita ao ministro Nardes para apresentar parte da nossa resposta aos questionamentos do TCU sobre as contas da presidente e também para falar sobre o Programa de Investimento em Logística, programa de concessões, porque o ministro é o encarregado de analisar as concessões nas áreas de rodovias e ferrovias", afirmou Barbosa. (N.B./Com agências)





