Tendência do mercado é manter otimismo
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domingo, 27 de fevereiro de 2005
Tom Morooka<br>Agência Estado 
São Paulo - O mercado financeiro tende a manter o bom humor nos negócios, embora a inflação pelo IPCA-15, que subiu de 0,68% em janeiro para 0,74% em fevereiro, tenha vindo acima das expectativas, pressionada por gastos com educação. O indicador mais elevado deve apenas reforçar as expectativas dos investidores em torno da divulgação dos próximos dados de inflação e indicadores da economia americana. A torcida é para que o Banco Central conclua quanto antes o ciclo de alta da taxa básica de juros. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada dia 24, sugeriu estar próximo o término da temporada de elevação dos juros.
As primeiras apostas indicam que o mercado está dividido entre uma alta de 0,25 ponto porcentual e 0,50 pp na próxima reunião do Copom, em março. O tesoureiro do Standard Bank, Clive Botelho, comenta que, embora a ata tenha sido benigna, os núcleos da inflação subiram bastante nos últimos meses de 2004 e se estabilizaram em níveis altos nesta virada de ano. ''O IPCA-15 pode ter reforçado a possibilidade de alta do juro na próxima reunião.'' Segundo Botelho, a decisão do Copom continuará sendo influenciada pelos dados de atividade econômica e pela inflação, corrente e futura.
A pesquisa Focus, que será divulgada hoje, deve apontar as expectativas de inflação dos bancos já sob efeito da nova ata, mas também com algum impacto do reajuste de 71,50% no preço do minério de ferro vendido pela Vale do Rio Doce aos clientes externos. Um fator positivo, segundo Botelho, é o contingenciamento de gastos, uma medida de política fiscal que vai ajudar a monetária no combate à inflação. No dia 25, o Ministério do Planejamento anunciou um corte de R$ 15,9 bilhões nas despesas obrigatórias do Orçamento da União.
Os dados econômicos dos EUA também estarão no foco dos investidores, na medida em que podem influenciar o rumo dos juros americanos e, por tabela, o fluxo de capitais aos mercados de países emergentes, como o Brasil. O principal indicador, aponta Botelho, são os dados do nível de emprego que serão divulgados na sexta-feira, dia 4. Um mercado sensível ao fluxo de divisas é o de dólar. O tesoureiro do Standard Bank comenta que, além das entradas clássicas de moeda, o dólar tem sido deprimido, apesar das ações do Banco Central, pela venda de dólar futuro de investidores estrangeiros no mercado de derivativos.


