Tendência de alta nos EUA não muda política
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 1999
Agência Folha 
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse ontem que a tendência de alta anunciada pelos Estados Unidos para sua taxa de juros não afeta em nada a decisão que o BC tomará hoje sobre os juros do Brasil. Já era esperado, disse Figueiredo sobre a decisão do Fed (banco central norte-americano).
A decisão do Fed, ontem, não alterou a expectativa dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela reportagem que, de forma geral, apostam em nova queda nos juros brasileiros. O viés de alta (tendência de alta) nos juros norte-americanos já era algo esperado por todos e, por isso, já estava embutido no preço de mercado para os juros, disse Tomás Brisola, do banco BBM.
Segundo ele, o mercado forma suas expectativas sobre a trajetória das taxas de juros levando em consideração uma série de fatores da economia interna e externa - entre eles a taxa norte-americana. Desde a semana passada, afirmou, o mercado já esperava que o Fed impusesse um viés de alta para conter a inflação.
Brisola disse que o mercado só mudaria suas expectativas sobre os juros se o Fed tivesse tomado uma medida diferente da esperada, como promover desde já uma alta nos juros norte-americanos. Segundo ele, há espaço para a queda de juros porque a taxa básica do BC está acima da necessária para manter a inflação sob controle.
O economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall, disse que o viés de alta anunciado pelo Fed não deverá causar uma saída de capitais do Brasil em direção aos títulos do governo norte-americano. Ontem, ele conversou com o ministro da Pedro Malan (Fazenda). O Citigroup não prevê uma alta de juros norte-americanos nesse momento, disse. Kawal disse que hoje o Brasil pode ter taxas de juros mais baixas, pois, segundo ele, os fundamentos da economia são mais sólidos.


