Tendência Câmbio reduz lucro do agronegócio
Ao contrário do que ocorreu com a safra anterior, a comercialização da atual safra de grãos tende a ser marcada por um período de cambio baixo como a linguagem de mercado costuma designar a redução do preço do dolar comercial. Se o dólar se mantiver calmo, em torno de R$ 2,30, como atualmente, os preços internacionais não serão tão remuneradores e ainda vão exercer influência sobre os preços internos, no caso de pelo menos dois produtos, a soja, sempre balizada pelo mercado externo, e o milho que, de novo, tentará a exportação, como no ano passado.
Para esses produtos, além da variável cambial, o mercado externo está desfavorável, com uma grande safra norte-americana de soja e um mercado comprador cauteloso, decorrente de uma economia ainda em recessão. Tudo isso, sem falar nos subsídios à soja norte-americana que os EUA certamente vão manter a qualquer custo.
Para o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, isto realmente preocupa, mas a agricultura tem que reduzir custos para manter-se competitiva, independente da variável cambial. Se o agricultor, que vinha descapitalizado, não tem mais como reduzir custos da porteira para dentro, é preciso, então, um esforço ainda maior para que se reduzam custos como os de transporte e outros itens do escoamento da produção, que ainda têm gordura a ser queimada.
Isto é possível. Há muito por melhorar em termos de infra-estrutura portuária, por exemplo, com reflexo positivo no custo transporte, como mostram estudos da Faep.
Cerca de 70% de tudo que é transportado no Paraná são produtos agropecuários, cujo frete é caro e mantém estrangulamentos a serem saneados. A ferrovia, que antes era um diferencial na composição dos custos, hoje, privatizada, tem seu preço aumentado. Mas, muitos desses gargalos são removíveis, ou seja é possível reduzir custos e a Faep está articulando nessa direção.
Segundo estudos da Faep, 23% do custo da soja está concentrado no item que os técnicos chamam de custos de transferência, que inclui taxas portuárias, colocação no navio etc.
Se você conseguir uma redução de 10 pontos percentuais apenas nesse universo de custos, a diferença na renda do produtor é grande, observa o presidente da Faep. E o assessor econômico da instituição, Carlos Augusto Albuquerque, observa que no caso das ferrovias uma das soluções é aumentar a capacidade de transporte, reduzindo o impacto do custo do transporte.





