São Paulo - Há uma enxurrada de índices negativos de custo de vida apurados por diferentes institutos de pesquisas que não deixam dúvidas sobre a tendência de queda da inflação. Só na última semana vários indicadores bateram recordes de baixa. O Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) de agosto fechou com deflação de 0,65%, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foi o menor resultado em mais de dois anos e o quarto mês seguido que o índice registrou deflação.
''Uma sequência de quatro deflações nunca havia ocorrido antes com o IGP-M'', afirma o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Ele observa que, no máximo, o IGP-M ficou negativo por três meses consecutivos, de maio a julho de 2003. O recuo acumulado do índice nos dois períodos é quase equivalente. Entre maio e julho de 2003 a queda foi de 1,67% e entre maio e agosto deste ano, de 1,64%.
O economista pondera, no entanto, que a natureza da retração dos preços é diferente entre os dois períodos. Em 2003 foi provocada apenas pela valorização do real ante o dólar. Neste ano, o pano de fundo também é esse, mas cada vez mais esse fator perde força.
Quadros argumenta que fatores que dizem respeito à demanda e oferta de cada item ganharam mais relevância. Outra diferença da deflação deste ano captada pelo IGP-M é que pela primeira vez, desde dezembro de 1998, o Índice de Preços ao Consumidor de Mercado (IPC-M), que responde por 30% do IGP-M, também teve deflação, acompanhando o índice geral.
Ele observa que o repasse da queda de preços para o varejo ocorre neste ano de forma mais intensa. O motivo, segundo o economista, é que a queda de preços atinge vários itens que compõem o indicador. ''A deflação está chegando ao consumidor.''
Mas o motor da deflação continua sendo os alimentos. Por dez quadrissemanas consecutivas os alimentos registraram variação negativa no Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe).

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