Tempos modernos exigem mudanças radicais
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de dezembro de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
A revolução digital trouxe ainda mais agilidade no processo de mudança das empresas. Quem não acompanha fica para trás e pode perder espaço no mercado, ou até mesmo ser vendida ou fechar completamente. Um exemplo clássico da necessidade de transformação trazida pela evolução tecnológica é o da Xerox, famosa pelas suas fotocopiadoras. Outro caso que está se tornando notório devido à evolução do armazenamento de arquivos digitais é o da Nero, que ficou conhecida pelo seu software de gravação de CDs e DVDs.
Segundo o consultor empresarial Wellington Moreira, da Caput Consultoria, existem dois tipos de empresas: aquelas que criam mudanças e aquelas que reagem às mudanças. As primeiras são tidas como inovadoras, abrem caminho, antecipam tendências, lideram o mercado. "Elas identificam uma mudança de cenário e mudam antes." O segundo tipo de empresa é aquela que identifica uma mudança e consegue mudar a tempo. E pode-se acrescentar aí, na verdade, mais um grupo de empresas, diz Moreira: o daquelas que percebem a mudança tarde demais, e nesse caso já não podem fazer mais nada a não ser fechar as portas.
Empresas que mudam antecipadamente sofrem menos os efeitos das mudanças. Já aquelas que "mudam para correr atrás nunca vão beber água limpa", ilustra Moreira. Mesmo assim, há quem decida ser apenas uma "seguidora". Até porque se antecipar não é um processo fácil. "É difícil ser líder. Você tem de se provocar a todo tempo."
Depois que as pessoas começaram a consumir conteúdo digital de outras maneiras direto da nuvem ou usando dispositivos como pen-drives, por exemplo os CDs e DVDs pararam de ser utilizados com tanta frequência. Para acompanhar as mudanças, a Nero AG, empresa por trás de um popular programa de gravação de CDs e DVDs o Nero Burning ROM -, expandiu o seu portfólio além do software de gravação. Recentemente, lançou o Nero 2017, um pacote de ferramentas com funções que vão desde a captura e a edição do vídeo, projeto ou arquivos de áudio até o compartilhamento ou armazenamento para uso futuro, com transcodificação otimizada para cada dispositivo.
"O Nero Burning ROM foi nosso primeiro produto, lançado em 1997", conta Alexandra Kurz, executiva de Marketing e Comunicação da Nero AG em sua primeira entrevista à imprensa concedida à FOLHA, por e-mail. "Ao longo dos anos, o que começou como uma combinação de ferramentas para gravação, reprodução e edição de áudio e imagens no PC tornou-se um produto que tramita facilmente entre TV, PC e dispositivos móveis, acompanhando a evolução na forma como hardware e conteúdos digitais são utilizados hoje em dia."
A Nero AG não abre o número de usuários do seu conhecido software de gravação, mas afirma que, hoje, são mais de 100 milhões de usuários dos seus produtos e faz planos para o futuro. "Ainda há muito o que incorporar aos futuros lançamentos Nero. Se olharmos para as novas maneiras de usufruir de nossos conteúdos multimídia, como, por exemplo, as transmissões de redes caseiras ou direto da nuvem, só tenho algo a dizer: o futuro é superexcitante!", enfatiza Alexandra.
FOTOCÓPIA
Quando foi fundada, 80 anos atrás, a Xerox revolucionou o dia a dia das empresas com uma maneira diferente de "compartilhar" informações: por meio da fotocópia. Os tempos mudaram, mais e mais documentos estão se tornando digitais e a copiadora perdeu sua posição de destaque. A "era digital" forçou a Xerox a mudar o modelo de seus negócios. Hoje, os equipamentos vendidos pela empresa são multifuncionais e não se restringem apenas a fazer cópias. E os serviços se tornaram responsáveis por 50% das receitas da companhia, cuja principal atividade está relacionada à área de gerenciamento digital de documentos para as empresas, na qual a Xerox é considerada líder.
Para Cristiana Lannes, diretora de Marketing da Xerox, o processo de transição da empresa começou com a revolução digital, por volta dos anos 1980 e 1990 quando houve a popularização dos computadores. "Sentimos a necessidade de ir além da cópia. O que era gestão de documento físico, passou a ser eletrônico." O processo de reinvenção da empresa, no entanto, é contínuo, diz a diretora. "Não dá para ter sucesso fazendo as mesmas coisas que já fazíamos antes. A melhor forma de prever o futuro é inventando."


