José PedroA médio prazoMassaru Takahara, gerente de revenda Volkswagen: ‘‘Maioria prefere leasing prefixado em 24 ou 36 meses’’As revendas de veículos novos estão com o estoque 97 praticamente zerado em Londrina e já aguardam um bom final de ano, acreditando no poder de compra do consumidor e na política de vendas facilitadas. Renato Sarzano, diretor comercial de uma concessionária Fiat, diz que o setor está bem mais flexível para os negócios e a cada dia se adequando melhor às condições financeiras do cliente. Nunca foi tão fácil comprar carro.
‘‘O mercado está aquecido’’, afirma Sarzano. ‘‘Uma parcela da população que nunca pensava em comprar carro, hoje tem acesso ao mercado’’. As notícias que chegam até ele são animadoras: a produção de veículos tanto cresce no País que as montadoras já pensam em alcançar em 99, e não mais no ano 2000, a marca de 2 milhões de veículos produzidos.
Sarzano fala que a concorrência, em cenário economicamente estável, alterou muito o perfil do mercado. ‘‘Tem banco (financeiras), hoje, que não exige entrada na aquisição do veículo, outros aceitam balão (prestação maior) em dezembro de 97, de 98, outros, ainda, fazem um leasing rápido, sem burocracia, para conquistar o cliente’’.
Por conta dessas mudanças, Sarzano aposta que a partir de outubro o movimento será ainda maior nas concessionárias da cidade. ‘‘Parece que não, mas tem gente que compra carro no final do ano para viajar; as peruas, por exemplo, têm uma boa saída’’.
Massaru Takahara, gerente de vendas da Volkswagen, não só confirma o ‘‘bom’’ movimento em função de financiamentos diferenciados como lembra que o mercado do carro popular já representa 60% do total das vendas no País. ‘‘A maioria dos compradores hoje prefere o leasing prefixado em 24 ou 36 meses’’, comenta. ‘‘A estabilização da economia dá essa segurança ao comprador, de assumir compromissos a longo prazo’’.
Supervisor comercial da mesma revenda Volks, Luiz Alberto destaca que a maior parte das vendas (de 60% a 70%) é financiada. ‘‘O consórcio fica com outros 20% ou 30%. São poucos os que compram à vista’’. Ainda segundo ele, as concessionárias em geral ‘‘devem’’ estar dando descontos de 3% a 4% na linha 97/98 e cobrando de juros de 2% a 3% ao mês. Um pouco mais, até.
Luiz Alberto também anda vendo um novo consumidor nas lojas, gente que nunca teve um carro. ‘‘Os clientes em potencial já compraram, agora os outros é que estão entrando no mercado, o que não deixa de ser preocupante, na visão dos operadores’’.
O fato é que não se sabe ainda a real capacidade de comprometimento da renda dessa nova clientela. Os operadores temem uma alta na inadimplência - sobre os índices atuais, Luiz Alberto não fala nada - ‘‘nem nós, aqui na loja, temos essa informação’’. Os bancos, porém, mais criteriosos na concessão de crédito, não permitem prestação superior a 20% ou 25% da renda bruta do cliente. Fazem isso justamente para evitar a alta da inadimplência.

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