Tempo de concessões - Oswaldo Petrin
Tempo de concessões
-Conversando com pelo menos três deputados (ruralistas) paranaenses, ontem, foi possível perceber certa tranquilidade com relação ao encaminhamento da dívida agrícola (matéria nesta página). Eles acham que o governo, que não queria transigir quando do caminhonaço, terá que fazê-lo agora, após votação de quarta-feira, apesar de ter saído vitorioso. É que a diferença foi pequena e a bancada ruralista se julga fortalecida.
-Por esta razão estão otimista quanto à aprovação de emendas à medida provisória mudando os termos da (re)negociação. O próprio líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), afirmou ontem (AE) ser evidente que o governo saiu desgastado após votação que derrotou - com uma diferença de apenas 12 votos - o recurso dos ruralistas para ressuscitar o debate sobre a rolagem de dívidas do setor. Ficou um mal-estar, um certo desalento de ambas as partes.
-Isto é bom para o agricultor?. Claro, mas tanto o governo como o agronegócio como um todo - e não apenas a ponta do setor primário - têm um desafio, imediato, que transcede a questão da dívida. É o Mercosul. Daqui para frente este mercado comum vai ser uma pedreira. E há uma notícia pessimista para os produtores brasileiros, não é apenas a ira argentina com relação a inspeção imposta pelo Brasil aos derivados de leite.
-Seguinte: segundo o analista da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e presidente da Sociedade Brasileira de Estudo de Empresas Transnacionais (Sobeet), Pedro Motta Veiga, o Brasil vai ter que fazer concessões comerciais a Argentina se quiser garantir a sobrevivência do Mercosul. A medida é necessária para o País manter a liderança no bloco, afirmou Veiga, durante o 13º Congresso Brasileiro de Economistas e 7º Congresso de Economistas da América Latina e do Caribe.
-Há um preço a pagar pela liderança, segundo afirmou o economista. Entre as concessões possíveis, Veiga citou a permissão para a manutenção de barreiras comerciais pela Argentina, como compensação pelo choque na economia do país por causa da mudança da política cambial brasileira.
-Lembrou que, para a consolidação da Comunidade Econômica Européia, também foram necessárias concessões da Alemanha, o país de economia mais poderosa do continente. Na avaliação dele, a política brasileira não pode ser acusada de condescendência com a Argentina, o Uruguai e Paraguai. A cara do Mercosul é a que o Brasil quiser, afirmou. Veia falou no debate com economistas e deu entrevista ao repórter Gustavo Alves, da Agência Estado.
-As discussões devem começar depois das eleições argentinas, avisou Veiga. Ele argumentou que a equipe do presidente Carlos Menem é mais interessada em integrar-se com os Estados Unidos do que com os países da América do Sul. A situação vai inverter-se com o sucessor de Menem, previu.
-A mudança de governo vai provocar a mudança do principal ponto de irritação brasileira com a Argentina, que é a política externa. O avanço da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), bloco econômico defendido pelos Estados Unidos, é outra razão para que o Brasil avance na integração com os países vizinhos do sul.
Milho/alta
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 10,97/saca (+0,18%). Em dólar, US$ 5,93/saca. O valor a prazo ficou em R$ 11,20/saca, estável. Veja também preço ao produtor nos quadros e matéria nesta página.
Soja/Paraná
O indicador de Preços da Soja Esalq/BM&F ficou em R$ 20,78/saca (-0,29%). Em dólar, US$ 11,04/saca (-0,54%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.
Boi/SP
O preço à vista do boi gordo ficou ontem em R$ 34,42/arroba em SP (+0,79%). Em dólar, a cotação fechou em US$ 18,28 (+0,49%). A prazo, o preço ficou em R$ 35,06 (+0,69%). Os dados são da Esalq/USP. Veja mais nos quadros abaixo.
Café/SP
O valor à vista do café (tipos intermediários de cafés paulistas e mineiros) teve queda de 0,52% (R$ 145,92/saca). Em dólar, caiu 0,84% (US$ 77,49/saca). A prazo, ficou em R$ 147,21/saca (-0,53%). Fonte: Esalq/BM&/AE. Veja também preços no PR.
Proleite
O governo está colocando à disposição dos produtores de leite R$ 200
milhões. É o Proleite, voltado para o incentivo e melhoramento da mecanização, resfriamento e transporte do produto. Quem chegar primeiro, leva.





