O desejo de conseguir um emprego temporário no período de Natal e, posteriormente, uma efetivação movimentou o comércio de Londrina nos últimos três meses: milhares de currículos foram deixados nas lojas. O número de vagas este ano, por sua vez, deve ser um pouco melhor que em 2004, dando oportunidade para cerca de 1,5 mil pessoas -10% a mais que no ano passado - segundo dados dos sindicatos de classe. A expectativa de contratação nesse período gira em torno do aquecimento natural das vendas provocado pelo pagamento do 13º salário.
Sem um levantamento concreto, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Uzier Carvalho, acredita que o número de postos de trabalho temporários chegue a 1,5 mil. Segundo ele, a vantagem desse ano é a possibilidade de efetivação, já que houve uma demanda reprimida de contratação durante todo o ano de 2005, por conta do cenário político do País que deixou os comerciantes receosos.
Os números do Sindicato dos Comerciários já é um pouco mais tímido. Conforme o presidente da entidade, José Lima do Nascimento, pouco mais de 1,2 mil funcionários temporários devem ser contratados pelas lojas para as vendas do mês de dezembro. ''Apesar da boa perspectiva de comercialização no fim do ano, o número não deve passar de 1,2 mil'', disse Nascimento. O dado é semelhante ao de 2004.
Alguns lojistas, esperançosos com as vendas de final de ano estão apostando alto. A Loja Riachuelo, por exemplo, já contratou quase o dobro de temporários, em relação à mesma época do ano passado. Foram admitidas 75 pessoas. ''A expectativa para o fim de ano é muito boa porque as vendas dos últimos meses estão sendo bem positivas'', afirmou a supervisora da loja, Edna Gonçalves de Paula.
Como de praxe, a loja tem optado em dar oportunidade do primeiro emprego aos jovens. ''Não exigimos experiência. Avaliamos os cursos que o canditado tem, como informática ou na área de atendimento. Essa é a nossa preferência'', pontuou Edna. Segunda ela, a idéia da loja é efetivar, pelo menos, 50% dos funcionários temporários no próximo ano. A loja recebeu cerca de 3 mil currículos nos últimos três meses.
Na loja de calçados Humanitarian a proposta e a expectativa não são diferentes. Foram contratadas 21 pessoas, que já estão passando por treinamento: sete delas tiveram a carteira assinada pela primeira vez. ''Recebemos muitos currículos, infelizmente tem muita gente desempregada'', lamentou o gerente da unidade, Cláudio Pereira de Lima. ''Esse é um bom período de vendas, estamos apostando nisso'', ressaltou ele.
De acordo com o gerente, houve um pouco de dificuldade em selecionar os candidatos por conta da falta de qualidade. ''Levamos em consideração um conjunto de habilidades, como por exemplo a dicção. A pessoa tem que falar bem para atender o cliente'', destacou Lima. A empresa também realizou uma prova escrita para a seleção dos candidatos. A expectativa da Humanitarian é efetivar alguns dos temporários em 2006. ''Vai depender do desempenho de cada um'', concluiu Lima.

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