Tempo bom para agendas e folhinhas
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segunda-feira, 05 de janeiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Dona Ayde Teixeira de Lima, funcionária pública e temente a Deus, saiu do Tatuapé, na segunda-feira passada, 29, e desembarcou na rua 15 de Novembro, no centro de São Paulo, para um compromisso que pode se dizer religioso: comprar sete folhinhas do Sagrado Coração de Jesus, nas Livrarias Paulinas. Não conseguiu: dos 80 mil exemplares impressos pela editora, 60 mil já haviam sido vendidos, e a loja tinha apenas duas na prateleira. Dona Ayde as levou, mas deixou encomenda.
''Todos os anos eu compro para mim e para a família as folhinhas do Coração de Jesus. Só que desta desta vez vou ter de esperar para dar o presente a duas cunhadas, minha nora, minha filha e minha neta'', afirmou.
Nesses dias em que uma quantidade incalculável de papel, em forma de folhinhas, calendários e agendas, perdem o seu valor, em todo o mundo, 600 mil lares brasileiros tiram das paredes o modelo vencido e colocam no lugar a nova versão daquela que é a campeã de vendas no País: a folhinha do Sagrado Coração de Jesus. Isso para falar apenas das folhinhas publicadas pela Editora Vozes, às quais somam-se as 80 mil da Paulinas e uma quantidade não conhecida produzida em editoras menores e gráficas informais.
Em 2002, segundo a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf), apenas o segmento de cadernos, agendas e folhinhas registrou um movimento de R$ 1,19 bilhão. Em 2003, o presidente da Abigraf, Mário César de Camargo, acredita que o faturamento global do setor fique próximo ao do ano passado, R$ 12,92 bilhões. Isso porque o setor de papelaria apresentou ao longo de 2003 crescimento de 5%, podendo chegar a 10%, puxado por cadernos, agendas e folhinhas.
A Editora Vozes, por exemplo, desde 1940 produz a sua popular folhinha do Sagrado Coração de Jesus, com um bloco de 365 folhinhas destacáveis, impressão frente e verso, com o dia e o santo do dia, além da lua em uma folha e, na outra, orações e receitas. A tiragem, que começou com 31 mil exemplares, alcança hoje aqueles 600 mil exemplares, e não raro faltam folhinhas do Sagrado Coração de Jesus nos pontos-de-venda.
E se a folhinha criada pelos franciscanos da Vozes, residentes em Petropólis, no Estado do Rio de Janeiro, é um sucesso, as freiras que controlam a paulistana Paulinas também não têm do que reclamar. Já registraram um resultado excepcional este ano, mesmo com a concorrência de agendas eletrônicas e de internet.
''Ninguém dispensa os calendários de papel, que são mais práticos de consultar'', diz a diretora Editorial da Paulinas, irmã Flavia Reginatto, feliz com os números registrados até o penúltimo dia de 2003, quando muitas das edições de calendários deste ano já estavam esgotadas. ''Os 300 mil exemplares do Calendário da Amizade, com fotos de paisagens e pensamentos, já se esgotaram. O mesmo aconteceu com os 15 mil exemplares de um calendário de mesa, que decidimos lançar este ano, visando executivos ou quem gosta de ter um calendário na mesa, com espaço para escrever.''


