Depois de atingir a Ásia e a Rússia, a tempestade financeira que se abateu sobre os mercados emergentes centra-se agora na América Latina, segundo especialistas em Wall Street.
A ‘‘crise russa já foi assumida pelos mercados e pelos investidores. Por causa disso, os maus ventos soprarão agora principalmente sobre a América Latina’’ - Brasil, Venezuela, México e Argentina, opina Robert Pelosky, do Morgan Stanley Dean Witter.
Entre ‘‘30 ou 40% da economia mundial está se orientando para a recessão. Começou com o Sudeste da Ásia, debilitou o Japão, causou o desabamento da Rússia e agora atingirá em cheio a América Latina’’, afirma um consultor da casa nova-iorquina Goldman and Sach.
Segundo Pelosky, a crise que causou a desvalorização do rublo gerou uma ‘‘busca desesperada dos investidores por liquidez’’, para minimizar suas perdas na Rússia.
Esta busca de liquidez terá como cenário prioritário a América Latina, para onde será canalizada a onda de vendas intensificada pelos crescentes temores de que a crise mundial arraste a economia norte-americana, provocando uma redução nos lucros das empresas.
Jorge Mariscal, consultor da Goldman and Sach, destaca que ‘‘as consequências da crise financeira sobre os títulos da dívida dos países latino-americanos no mercado internacional continuarão se agravando’’, e destaca que ‘‘Brasil corre o risco mais sério, uma vez que o país já vive quase uma recessão na economia’’.
As ‘‘vendas significativas de ações para compensar as perdas na Rússia, para cobrir compras feitas a crédito, contribuirão para a piora da situação na região’’, destaca Pelosky.
‘‘Nenhum investidor se interessa agora em comprar títulos da dívida latino-americana, cuja queda nas últimas semanas foi dramática’’, confirmou Mariscal.
No entanto, segundo alguns analistas, entre eles Rosanne Cahn, do Banco Crédit Suisse First Boston, as economias latino-americanas estão em condições de enfrentar a crise dos mercados internacionais, pois conseguiram sanear suas economias e lançar programas econômicos internos.

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