Curitiba – A temperatura do planeta pode subir 1,8 graus Celsius, em uma perspectiva mais otimista, e até 4 graus Celsius, em uma visão mais negativa, segundo estudo que permitiu a criação do sistema capaz de simular os impactos das mudanças climáticas globais até 2100. O assunto foi discutido ontem, no Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas, que promoveu, em Curitiba, o workshop "Clima 100 - Simulação dos Impactos das Mudanças Climáticas Globais sobre os Setores de Energia, Agropecuária e Floresta".
As previsões climáticas foram feitas com 30 anos de dados das 28 estações meteorológicas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e do Simepar no Paraná, considerando os cenários propostos pelo Painel Internacional de Mudanças Climáticas (IPCC). O trabalho durou três anos.
O pesquisador do Iapar e coordenador do estudo, Paulo Henrique Caramori, alertou que, caso não sejam tomadas medidas mitigatórias, podem ocorrer grandes prejuízos para os setores agropecuário e florestal. A previsão dele é que haja impactos negativos para a produção de frutas, de leite, de aves, de bovinos, além de afetar culturas como café, feijão e milho.
Segundo ele, em altas temperaturas, o boi, por exemplo, gasta mais energia para regular a própria temperatura e pode ter dificuldades para ganhar peso já que, com o calor, deixa de se alimentar para buscar a sombra.
Caramori explicou que, na agricultura, se o solo não estiver coberto o ano todo, fica sujeito ao superaquecimento e à erosão. Manter o solo com cobertura, segundo ele, conserva a água na terra, a temperatura das raízes, evita a erosão e auxilia no controle das plantas daninhas.
Isso pode ser feito através do plantio direto, quando o solo não é arado e revolvido entre um plantio e outro, o que permite usar os resíduos de plantios de estações anteriores para proteger a terra. Outra alternativa seria mesclar a pecuária com áreas florestais, o que torna a temperatura mais amena ou ainda realizar o plantio agroflorestal, que mescla a agricultura com floresta.
Caramori disse que temperaturas acima de 35 graus Celsius podem provocar o abortamento das flores do café e do feijão, prejudicando as culturas. As árvores frutíferas como maçã, pera e pêssego precisam de um período de repouso no inverno. Com mais calor, podem ser afetados o sabor, a qualidade e a acidez destas frutas. Uma das saídas, de acordo com o pesquisador, seria criar variedades destas frutas com um tempo menor de repouso invernal.
O milho poderia sofrer com redução do potencial produtivo em regiões mais quentes. Ele explicou que durante o dia a planta faz a fotossíntese e, à noite, a respiração do vegetal é mínima. Com temperaturas maiores, a planta respira e queima as reservas que acumulou durante o dia, o que leva a uma produção menor. Uma das formas de minimizar isso, segundo ele, seria ter variedades de plantas menos sensíveis a altas temperaturas, doenças e pragas. Tudo isso, demanda "muito investimento em pesquisa e tecnologia para que o Brasil não perca a competitividade", completa o pesquisador. De acordo com ele, isso é um trabalho de pesquisa para 20 a 30 anos.
Ele sugeriu a criação de um programa estadual de combate às mudanças climáticas e a elaboração de um programa de pesquisa, no Paraná, em parceria com universidades e instituições de pesquisa.

Imagem ilustrativa da imagem Temperatura do planeta pode subir até 4ºC
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