Temor de recessão global derruba bolsas
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quinta-feira, 22 de março de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Os renovados temores de que a desaceleração americana poderá empurrar a economia global para uma recessão derrubaram ontem os mercados financeiros internacionais. As bolsas do mundo tiveram quedas expressivas. O Dow Jones chegou a recuar 4,01%, mas recuperou parte das perdas no fim dos negócios, fechando em baixa de 1,03%, em 9.389,5 pontos. No Brasil, o Índice Bovespa caiu 5,29%, depois de perder 7,35% no pior momento do dia, reagindo também à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic de 15,25% para 15,75% ao ano e às incertezas em relação à Argentina. O nervosismo também provocou a alta do dólar, que subiu 1,89%, cotado a R$ 2,162 (o maior nível do Real), e a disparada das projeções de juros.
O mercado de juros perdeu o parâmetro de preços, não só pelo efeito-surpresa da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic como também por causa das violentas quedas nas bolsas de todo o mundo e de boatos de toda espécie envolvendo Argentina e Brasil. Os juros futuros projetados pelos contratos de DI mais negociados saltaram para faixas acima de 20%, do nível de pouco menos de 18% em que encontravam antes.
O dia foi caótico. Da Argentina, vieram rumores de renúncia do presidente Fernando de la Rúa (desmentido pelo governo), acompanhados dos boatos de praxe do fim do regime de conversibilidade. O mercado brasileiro alimentava os boatos no argentino e vice-versa. Não faltaram inclusive comentários sobre eventual demissão do diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, estes talvez por conta da polêmica provocada pela alta da Selic (tais rumores também foram desmentidos).
O próprio presidente do Banco Central Europeu (BCE), Wim Duisenberg, admitiu que a desaceleração da economia dos EUA pode afetar o crescimento da zona do euro mais que o estimado anteriormente. Isso derrubou a moeda única européia para US$ 0,8892, uma baixa de 0,76%. O euro bateu na mínima de US$ 0,8834, o nível mais baixo desde dezembro do ano passado.
Estamos no meio de uma crise global, e a única solução para tirar as bolsas mundiais da trajetória de queda é uma ação coordenada dos bancos centrais da Europa e dos EUA, diz o estrategista de investimentos globais da Merrill Lynch, Owain Evans. Segundo Evans, se houver essa ação conjunta entre os bancos centrais em afrouxar a política monetária, os investidores e analistas vão poder olhar além das notícias negativas que inundam o mercado neste momento.


