São Paulo A alta de preços do petróleo, que se refletiu em aumento de 19,4% sobre a nafta no Brasil desde o início deste mês, começa a chegar na seara das resinas termoplásticas. A indústria petroquímica aplicará reajuste em torno de 15% sobre os plásticos a partir desta semana até fevereiro. O motivo da alta se resume na expectativa de conflito no Oriente Médio. ''Esse aumento deveria se refletir em reajuste de 5% sobre os bens transformados plásticos, mas não conseguiremos fazê-lo porque a pressão das grandes redes varejistas é muito grande'', observa o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum.
Ele alega que os transformadores ainda possuem resíduos dos aumentos dos preços das resinas, em 2002, que não foram repassados o índice não é revelado.
O presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo (Siresp), José Ricardo Roriz Coelho, afirma que de um lado o preço do barril de petróleo se eleva e de outro os transformadores de resinas em todo mundo concentram esforços na formação de estoques, temendo a escassez e alta ainda maior dos preços a reboque de uma possível guerra.
''Quem tem que importar para fazer pré-marketing, também está em dificuldade'', assinala Roriz. A situação é a melhor para a petroquímica, que precisa recuperar margens perdidas principalmente em 2001.
Roriz prevê que as resinas mais cobiçadas mundialmente são o polietileno (PE) e o polipropileno (PP), justamente as que deverão ter seus preços elevados imediatamente no mercado interno. As demais, policloreto de vinila (PVC) e poliestireno (PS), deverão ter a cotação aumentada em fevereiro, enquanto o polietileno tereftalato (PET) tem o preço ajustado ao praticado mundialmente a oferta é menor do que a demanda.
Mesmo com o aumento dos preços no mercado interno, diz Roriz, a cotação não chega à praticada na Europa. ''Estamos defasados em US$ 40 a US$ 50 ante os preços europeus referência para o Brasil'', considera o presidente do Siresp. Segundo ele, o momento é bom para exportar. O uso da capacidade instalada no parque petroquímico está em 100%, a expectativa da indústria é de vender a produção e reservar pequeno volume em estoque.
Das vendas, a projeção sobre exportações aponta para 17% a 20%, em janeiro. O executivo do Siresp afirma que a média anual das vendas externas é de 14% sobre a produção (considerando-se uso da capacidade a 100%). E nos meses de dezembro a fevereiro, esse índice médio anual é de 16%.

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