Temor de calote argentino afeta negócios
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segunda-feira, 29 de outubro de 2001
Das agências<br> De São Paulo 
O temor de que, desta vez, a Argentina não consiga ganhar mais tempo e tenha de declarar moratória de sua dívida externa transformou a segunda-feira num dia nervoso para os mercados. O índice líder MerVal da Bolsa de Comércio da Argentina despencou 8,67% e o risco-país, medido pelo banco JP Morgan, passou de 1.822 pontos básicos na sexta-feira para 2.013 pontos básicos (20,13% de sobretaxa), um recorde desde a criação do índice. Os títulos da dívida brasileira, os C-Bonds, tiveram queda de 3,8%. Nos FRBs argentinos, a desvalorização superou os 10%.
''A cotação dos papéis argentinos já reflete uma moratória. E isso não quer dizer que eles não possam se depreciar ainda mais'', diz Joaquim Kokudai, diretor de tesouraria do banco Lloyds TSB.
A Bovespa fechou em queda de 3,42%, em 11.377 pontos. O volume negociado foi de R$ 430,2 milhões e seguiu a baixa média dos últimos dias. Apenas três das 57 ações que compõem o Ibovespa tiveram uma alta modesta.
O dólar fechou em baixa de 0,18%, cotado a R$ 2,722. As negociações foram reduzidas e a moeda oscilou bastante durante o dia. Apesar de a expectativa em relação a Argentina ser muito ruim, segundo operadores, a possibilidade de ingresso de divisas com a venda da Copel ajudou a diminuir a pressão sobre a moeda.
Segundo Luiz Antonio Abdo, da corretora Souza Barros, há também aqueles que acreditam que o dólar atingiu sua cotação máxima e já reflete um provável calote argentino. Outros arriscam dizer que o mercado brasileiro já se descolou do argentino.
Acordo com UE O Mercosul ofereceu ontem cortar US$ 7,5 bilhões em tarifas sobre produtos importados da União Européia pelos próximos dez anos. A proposta faz parte das negociações por um pacto de livre comércio entre os dois blocos econômicos. A oferta, feita em mais uma rodada de negociações em Bruxelas (Bélgica), é uma resposta à oferta da UE, feita em julho, de abolir as taxas de importação para mais de US$ 5 bilhões em produtos do Mercosul. A proposta prevê cinco categorias diferentes para a eliminação das taxas, com diferentes prazos.


