Temer pede que Rússia respeite acordo
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terça-feira, 07 de junho de 2011
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
O vice-presidente, Michel Temer (PMDB), encaminhou ontem uma carta ao governo russo pedindo respeito à declaração conjunta assinada no fim de maio em Moscou. Na ocasião, Brasil e Rússia se comprometeram a se informarem previamente sobre mudanças nos mecanismos de controle do comércio. A carta de Temer é uma resposta ao embargo de Moscou a 85 frigoríficos do Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, anunciado unilateralmente na semana passada.
Por meio da sua assessoria de imprensa, o vice informou que ''todas as providências para a adequação das unidades exportadoras brasileiras às novas regras fitossanitárias estão sendo tomadas, mas que é preciso um certo tempo para implementação dessas novas medidas''.
Péricles Salazar, presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), comemorou a decião de Temer. ''Muitas das exigências dos russos não procedem'', afirmou. Na véspera, Salazar havia participado de uma audiência com o ministro da Agricultura e da Pecuária, Wagner Rossi, em Brasília.
''O ministro nos disse que não poderia criticar os russos porque são bons compradores e porque cliente tem sempre razão'', afirmou Salazar. Mesmo assim, Rossi determinou o envio de uma missão oficial à Russia, em duas semanas, para negociar a suspensão do embargo, marcada para ter início dia 15 de junho. Apesar de afirmarem que o boicote tem razões sanitárias, os russos não deixaram claro quais os problemas existentes nos frigoríficos afetados pela medida.
O presidente executivo da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, também comemorou a carta de Michel Temer aos russos. ''A avicultura brasileira trabalha fortemente para manter seu status sanitário como um dos melhores do mundo. Exatamente por isto, temos confiança que, em breve, esta situação será revertida'', ressaltou ele, por meio de nota enviada à imprensa.
Já o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, disse que o embargo russo não afetará o mercado paranaense porque a quantidade de produtos enviados para o país representa só 2,56% das exportações do Estado. ''Exportamos para mais de 120 países, o volume enviado para a Rússia não é significativo'', aponta.
Segundo Martins, todos os frigoríficos paranaenses obedecem aos padrões internacionais. Ele acredita que o embargo russo não se justifica, já que o Brasil atende mercados mais rigorosos em termos de qualidade, como é o caso da Europa. Ele vê como positiva a ida de uma comitiva brasileira a Moscou. (Colaborou Ricardo Maia)


