Temer patrocina acordo para 40 horas semanais
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terça-feira, 02 de março de 2010
Denise MadueÀo<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), assumiu o papel de patrocinador de um acordo para votar ainda neste ano a proposta de emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A proposta, no entanto, enfrenta grande resistência dos líderes partidários, temerosos de enfrentar uma questão como essa, que mexe com trabalhadores de um lado e com empresários, do outro, em um ano eleitoral.
Em mais uma rodada de negociação, Temer recebeu ontem representantes da federações comerciais, contrários à votação do projeto. O presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB), José Paulo Cairoli, classifica a votação da emenda neste ano de ''precipitada e eleitoreira''. Ao contrário das centrais sindicais de trabalhadores, a confederação considera que a redução da jornada não será capaz de gerar novos empregos e aponta a dificuldade para as micro e pequenas empresas que atuam no comércio, caso a proposta se transforme em lei.
Apesar do empenho de Temer em buscar um acordo, a questão não tem consenso entre os partidos políticos. ''Projetos desse tipo não são adequados para deliberação em ano de eleição. Michel vem desenvolvendo um trabalho para ver se chega a um entendimento para propor um dia para votação da proposta'', afirmou o líder do PSDB, João Almeida (BA). O líder do PMDB, maior partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), constata que o tema é polêmico e a discussão central é sobre a oportunidade ou não de se tratar de um tema sensível como a redução da jornada de trabalho em um ano eleitoral.
O líder do PMDB, mesmo partido de Temer, pretende reunir a bancada para tomar uma posição. ''Há quem queira votar neste ano e há os que não querem. A questão é o momento. A votação de uma emenda dessa neste ano vai levar à radicalização, a um extremo. O trabalho é procurar um consenso, mesmo assim, é difícil votar neste ano'', afirmou Henrique Alves.
A votação do projeto tem o apoio do PPS. A Executiva do partido divulgou, ontem, nota pública defendendo a aprovação da proposta. ''Esta é uma bandeira do partido desde 1982, quando ainda era PCB (Partido Comunista Brasileiro)'', diz a nota.


