'Televisão influencia tanto quanto os pais'
A reportagem da FOLHA procurou uma especialista em moda e comportamento para esclarecer uma dúvida: qual a influência da mídia sobre os hábitos de consumo atrelados à moda? Cleuza Fornasieri, professora da Universidade Estadual de Londrina, não hesitou em responder que é fundamental. ''Existem inúmeros estudos que comprovam isso. E pode observar, logo as pessoas vão sair pelas ruas vestidas iguais aos personagens mais carismáticos dessa novela que fala sobre a Índia'', justificou.
Para reforçar seu argumento, ela relembra da novela ''O Clone'' que se passava entre o Brasil e Marrocos, cuja cultura se assemelha com a indiana. Na época a personagem vivida por Giovana Antonelli, que interpretava a Jade, foi responsável por uma explosão de mulheres usando no antebraço um adereço metálico idêntico ao seu. ''Eu me lembro que a quantidade de garotas com bijuterias iguais pelas ruas era assustadora'', afirma a professora, ressaltando que, na prática, a televisão tem influência tanto quanto os pais (e às vezes maior) sobre decisões e hábitos cotidianos de jovens.
Segundo ela, a moda surge num contexto onde ser diferente é se destacar do corriqueiro. ''Mas quando esse diferente chama muito a atenção nasce o que eu chamo de moda'', ressalta afirmando que, como numa relação contraditória, esse comportamento acaba em grande parte das vezes virando tendência.
Outro ponto que ela elenca como curioso é o papel de quatro países emergentes na atual conjuntura econômica. São eles Brasil, Rússia, Índia e China que formam o novo bloco econômico conhecido como Bric (aglutinação das iniciais dos países citados). ''Não é à toa que tem uma novela sobre a Índia e outra sobre a China ao mesmo tempo no ar. Eu acho que é por isso'', ressalta.
Não é de hoje que a história do crescimento dos Brics circula pelo mundo todo. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já calcula que os tais mercados emergentes ajudem a alimentar 30% da economia global. Estima-se que até o final da década, estas quatro economias podem representar mais de 10% do produto global bruto.
Cleuza afirma que no Brasil esse fenômeno ainda não foi assimilado e disseminado de maneira expressiva porque ''nós conhecemos muito sobre países europeus, mas estes desconhecidos estão sendo abertos para nós agora, principalmente, a partir da mídia. Mas ainda de maneira indireta'', esclarece. (R.O.)





