Arquivo FolhaSem hegemoniaBolsas brasileiras vão ter novo cenário após a privatização da Telebrás. Nenhuma blue chip deverá participar com metade do volume dos negócios, como acontecia antes. Telepar é citada
como boa opção
entre os papéis
de segunda linha
Com o desmembramento da Telebrás em 13 outros papéis, não haverá mais no mercado uma única blue chip que participe, sozinha, com aproximadamente metade do volume da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Na opinião do administrador de Renda Variável do Banco Matrix, Rodrigo Bresser Pereira, a fatia pertencente à Telebrás será movimentada por quatro ou cinco ações. Entre as principais, cita a Telesp, a Embratel, a Telenorte e a Petrobrás.
Fora do grupo dos papéis mais negociados, é possível também o investidor conseguir um bom retorno comprando papéis considerados de segunda linha. Pereira sugere algumas subsidiárias da Telebrás, entre as quais a Telepar e a Telesp fixa ou celular, e papéis do setor elétrico em geral, como Eletrobrás e Copel.
O analista-chefe do Lloyds Asset Management (LAM), Flavio Conde, acredita que há muitos papéis que caíram mais do que o mercado em geral e não se recuperaram ainda, o que significa que existe ampla margem de reação, até que os preços ultrapassem o pico ocorrido em 15 de abril.
Além de alguns papéis do setor da construção civil, como Gerdau, Duratex e Cimento Itaú, Conde recomenda também a aquisição de ações da siderúrgica Usiminas, que divulgará em agosto o resultado do segundo trimestre, que, segundo ele, deve surpreender o mercado.
Outra empresa que vai anunciar o resultado do segundo trimestre, também com grandes possibilidades de surpreender, é a Bardella, do setor de bens de capital. Para o analista-chefe, é bastante provável que a Bardella feche um contrato de fornecimento de lâmina para a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST). ‘‘Esse novo investimento está para ser decidido pelas empresas.’’
A divisão das ações da Telebrás em 13 outras só vai ocorrer depois do leilão. Mas o mercado já especula sobre quais papéis do setor de telecomunicações assumirão posição de destaque no mercado acionário brasileiro. Além das unanimidades, como as ações da Telesp e da Telesp Celular, existem algumas ações cujo desempenho ainda é uma incógnita, como as da Embratel.
Os papéis da Telesp devem ganhar boa parte da liquidez das ações da Telebrás. A empresa está localizada num grande mercado, com forte demanda reprimida. Além disso, a holding de telefonia fixa da companhia vai administrar apenas a Telesp operadora e a Companhia Telefônica da Borda do Campo (CTBC, de pequeno porte), o que é bom para o acionista. Trata-se de uma empresa que o mercado já conhece, o que dá maior segurança ao investidor.
No caso de uma holding como a Tele Norte-Leste, que compreende as operadoras de 16 Estados, fica mais difícil analisar o desempenho e o potencial da empresa, pois o resultado depende do desempenho de 16 companhias diferentes.
De qualquer modo, há vários especialistas, como o gerente de Bolsas do Banco ING Barings, Ricardo Almeida, que acreditam que as ações dessa empresa serão um dos destaques que vão surgir depois da divisão dos papéis da Telebrás. Ele aponta ainda as ações da Tele Sudeste Celular, que compreende as empresas do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Além dessas, o diretor de Renda Variável da BankBoston Asset Management, Júlio Ziegelmann, aponta Tele Centro-Sul e Telemig Celular como outros dois papéis com boas perspectivas de valorização.

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