Teles vivem momento de inquietação
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segunda-feira, 13 de novembro de 2006
Agência Estado 
São Paulo - As empresas de telecomunicações estão entre as companhias que mais movimentam dinheiro no País, mas há uma inquietação geral no setor. Algumas das empresas mais importantes de telefonia fixa e celular estão à venda. Entre os principais compradores estão dois grandes grupos internacionais, a espanhola Telefónica e a mexicana Telmex, que disputam o domínio do mercado nacional.
''Dez anos atrás, na época da privatização, a telefonia parecia uma mina de ouro'', diz Luiz Fernando Lopes, sócio do banco de negócios Pátria. ''Mas agora as empresas perceberam que, com o avanço das novas tecnologias, não será tão fácil ganhar dinheiro. A tendência é que haja uma consolidação do setor.''
O processo está avançando. Vice-líder em telefones celulares, a TIM está à venda. Seu controlador, a TelecomItalia, já recebeu uma proposta de US$ 7,7 bilhões da mexicana América Móvil, dona da Claro, controlada pelo bilionário Carlos Slim, que também é dono da Telmex. A operadora de telefonia fixa BrTelecom também já demonstrou interesse pela TIM.
Entre as operadoras de celulares, existem outros negócios em andamento. A líder de mercado, Vivo, pertence à Telefónica e à Portugal Telecom - que é alvo de uma oferta do grupo Sonae em Portugal. A Telefónica também pode fazer uma oferta pela parte da Portugal Telecom na Vivo.
Já a Telemig Celular está à venda para resolver uma velha disputa entre seus sócios e administradores - fundos de pensão, Citibank, banco Opportunity. A mesma divisão entre controladores incluindo também a TelecomItalia, também deve levar a uma redefinição da sociedade na Brasil Telecom, a terceira maior operadora de telefonia fixa do País.
Maior operadora de telefonia fixa do País, a Telemar também passará por uma mudança entre sócios. Os acionistas da empresa participam de uma assembléia, hoje no Rio, para decidir sobre o polêmico plano de reestruturação societária da empresa. Esta é a terceira vez que seus controladores tentam vender ou abrir uma porta na Bolsa de Valores para sair da empresa. Antes, eles haviam oferecido a empresa a concorrentes, mas não chegaram a um acordo. Também tentaram vender as ações de forma pulverizada no mercado financeiro, mas desistiram quando viram que não conseguiriam o valor que queriam. Caso não seja aprovada a reestruturação, a Telemar deve ficar à venda novamente.
Com a crescente convergência entre os serviços de telefonia fixa e celular, televisão e transmissão de dados, é cada vez mais complicado prever o futuro das empresas e saber quem vai conseguir manter a máquina de ganhar dinheiro funcionando. ''As regras de jogo nas telecomunicações estão mudando completamente'' resume Luiz Fernando Figueiredo, do banco Pátria.


