Teles trarão US$ 105 bi em dez anos
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terça-feira, 09 de junho de 1998
Agência Estado 
Estudo da consultoria McKinsey estima em US$ 105 bilhões a necessidade total de capital no setor de telecomunicações no Brasil nos próximos dez anos, sendo que 50% serão supridos por investimentos diretos estrangeiros. A consultoria prevê um cenário muito positivo para o setor no Brasil. A produtividade deverá melhorar com o programa de privatização e com a maior concorrência. Espera-se um aumento de 65% no nível de emprego com a criação de 100 mil novos postos de trabalho.
O estudo da McKinsey, obtido com exclusividade pela Agênica Estado, considera viável a meta governamental de ampliar o número de linhas de telefonia fixa dos atuais 17 milhões para 40 milhões nos próximos cinco anos. As expectativas são bastante positivas, embora a situação atual do setor deixe a desejar.
A produtividade da mão-de-obra no Brasil é a menor entre os países analisados pela consultoria e equivale a apenas 45% da registrada nos Estados Unidos. A Argentina, antes da privatização das telecomunicações, em 1992, apresentava produtividade equivalente à brasileira e hoje atinge 70% da americana. A baixa produtividade resulta de práticas organizacionais adotadas por companhias estatais em ambiente altamente regulamentado e de tecnologias defasadas.
Análise da produtividade de mão-de-obra entre a Telebrás, CTBC (empresa privada brasileira) e uma operadora regional dos EUA, por exemplo, mostra que a CTBC conseguiu resultados melhores com 25% menos empregados por linhas de acesso, apesar de contar com tecnologia semelhante à da Telebrás. A operadora norte-americana tinha 54% menos funcionários por linha de acesso que sua congênere brasileira.
A McKinsey demonstra, também, que os recursos totais necessários para desenvolver a infra-estrutura existente foram inflacionados pelos altos preços pagos pelos equipamentos. O custo das centrais de comutação chegou a 500% acima do nível internacional, devido a políticas de proteção e à concentração da indústria de equipamentos. O ambiente inflacionário e o controle das tarifas públicas também sufocaram a capacidade de investimento do setor de telecomunicações, conclui a McKinsey. A soma desses fatores contribuiu para a insuficiência de capital e o atraso tecnológico e, consequentemente, para a baixa produtividade da mão-de-obra.
Segundo a consultoria, as perspectivas para o setor são, no entanto, muito positivas. As atuais políticas, incluindo a privatização, abertura à participação estrangeira e incentivo à concorrência, deverão criar condições para o crescimento da produção e da produtividade. Além disso, o setor de telecomunicações poderá queimar etapas do trajeto percorrido pelos países desenvolvidos, por meio da implantação de novas tecnologias, mais baratas e mais produtivas. Finalmente, o crescimento projetado do setor poderá resultar na criação de um número significativo de empregos a curto e médio prazos, diante de um aumento acentuado de produtividade da mão-de-obra, que poderá chegar a 140% da americana.


