Teles planejam controlar identidade digital
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Roberto Dias<br>Folhapress 
Barcelona - As operadoras de telefonia lançaram ontem uma nova estratégia: centralizar o controle de identificação digital de quem usa a internet.
Apesar de não ter havido menção explícita à agência americana NSA, o plano é colocado em marcha após o escândalo de espionagem que brotou no vácuo da falta de regulação sobre os dados de usuários.
A ideia é padronizar uma tecnologia que identifique cada usuário a partir do chip de seu celular, cada vez mais o meio dominante de acesso à internet. Essa identidade daria acesso a serviços na internet (como bancos e aplicativos de música) e comandaria também outros aparelhos, mesmo que não conectados diretamente à internet.
"A autenticação é o pesadelo dos usuários", afirmou Stéphane Richard, presidente da operadora francesa Orange. "A transmissão dos dados é feita sem encriptação, o que a torna fácil de interceptar, e muitas vezes o controle usado é o próprio e-mail."
Na proposta apresentada ontem, o controle passa a ser feito a partir de dois dados: o cartão telefônico de cada aparelho (SIM card) e uma senha o acesso via desktop não foi contemplado, ao menos no plano mostrado durante o Mobile World Congress, em Barcelona.
Para as teles, é uma tentativa de manter relevância no xadrez digital. Sua força original de receita, a transmissão de voz, declina rapidamente. Deve deixar de ser a fonte predominante em todo o planeta nos próximos anos, e em muitos lugares já ficou para trás.
O cenário para as teles tampouco é róseo na transmissão de dados. O mercado foi largamente tomado pelos chamados OTT, como Skype e WhatsApp. São empresas que utilizam a rede de dados das operadoras para criar seus próprios serviços e receitas (daí o nome "over the top", que dá origem à sigla).
No mais básico dos serviços digitais, a troca de mensagens, as operadoras já comem poeira. No ano passado foram trocadas mais mensagens por aplicativos do que pelo tradicional SMS, segundo a consultoria Mason.
Daí a necessidade de marcar novos territórios para fazer frente ao crescente investimento que precisam fazer nas redes de transmissão a estimativa mundial do setor para o restante da década é de US$ 1,7 trilhão, o equivalente a três quartos do PIB brasileiro no ano passado.
Para isso, tentam aproveitam o momento de discussão sobre segurança e privacidade na rede.
"Nossa indústria é a tecnologia que atinge mais gente no mundo, são 3,4 bilhões de pessoas", diz Anne Beuverot, diretora da GSMA, a associação das teles, numa oposição velada ao decantado número de 1 bilhão de usuários do Facebook. "As pessoas vão confiar nas operadoras", afirma o presidente da entidade, o norueguês Jon Fredrik Baksaas.


